SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2023
Em uma tarde de trabalho na Clínica da Família você atende Oswaldo, um homem de 34 anos de idade, sem comorbidades, com queixa de dor epigástrica há alguns meses, acompanhada de sensação de plenitude e náuseas. O paciente não apresenta sinais de alerta para doenças graves. Você suspeita de um diagnóstico de dispepsia e inicia a abordagem da dor epigástrica de Oswaldo naquela mesma consulta. A abordagem inicial para o manejo do caso é;
Dispepsia sem sinais de alarme → iniciar IBP por 4 semanas. Se sem melhora, considerar erradicação empírica de H. pylori.
Em pacientes jovens com dispepsia e sem sinais de alarme (como perda de peso, disfagia, anemia, sangramento gastrointestinal), a abordagem inicial recomendada é o tratamento empírico com Inibidor de Bomba de Prótons (IBP) por 4 semanas. A erradicação empírica de H. pylori é considerada se não houver melhora após o IBP ou em regiões de alta prevalência.
A dispepsia é uma síndrome comum caracterizada por dor ou desconforto na parte superior do abdome, plenitude pós-prandial, saciedade precoce e náuseas. Afeta uma parcela significativa da população e pode ser classificada como dispepsia funcional (sem causa orgânica identificável) ou orgânica (associada a úlceras, DRGE, etc.). A abordagem inicial é crucial para otimizar o manejo e evitar exames desnecessários. Em pacientes jovens (<60 anos) sem sinais de alarme, a estratégia "testar e tratar" para H. pylori ou o tratamento empírico com Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) são as opções iniciais. Os sinais de alarme (perda de peso, disfagia, sangramento) indicam a necessidade de endoscopia digestiva alta para excluir patologias graves. A fisiopatologia da dispepsia funcional é multifatorial, envolvendo alterações na motilidade gástrica, hipersensibilidade visceral e fatores psicossociais. O tratamento empírico com IBP por 4 semanas é uma abordagem inicial eficaz para muitos pacientes. Se não houver melhora, a pesquisa e erradicação de H. pylori podem ser consideradas, especialmente em áreas de alta prevalência. A endoscopia é reservada para falha terapêutica ou presença de sinais de alarme. O manejo visa aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, com acompanhamento e reavaliação periódica.
Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, disfagia, odinofagia, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), anemia por deficiência de ferro, massa abdominal palpável, vômitos persistentes e história familiar de câncer gastrointestinal.
O tratamento empírico com IBP é a primeira linha porque é eficaz para sintomas relacionados à acidez gástrica, como os da dispepsia, e permite observar a resposta clínica antes de prosseguir para investigações mais invasivas.
A pesquisa e erradicação de H. pylori devem ser consideradas em pacientes com dispepsia que não respondem ao tratamento empírico com IBP, ou em regiões com alta prevalência de H. pylori, ou como estratégia "testar e tratar" em populações específicas.
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