FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 28 anos de idade, hígida, comparece à consulta de atenção primária devido a queixa crônica de dor epigástrica, moderada, em queimação associada à saciedade precoce. Relata que a dor é intermitente e piora com alguns alimentos como café, frituras e refrigerantes. Nega perda de peso, vômitos ou história familiar de Câncer. Durante o exame físico não foram encontradas alterações. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA que apresenta a conduta mais apropriada.
Dispepsia sem sinais de alarme: considerar HCG e parasitoses em atenção primária.
Em mulheres jovens com dor epigástrica crônica e sem sinais de alarme, a abordagem na atenção primária deve ser abrangente. Além das causas gástricas, é prudente excluir gravidez (beta HCG) e considerar a prevalência de parasitoses intestinais, que podem mimetizar sintomas dispépticos, justificando um tratamento empírico em certas populações ou contextos.
A dispepsia é uma síndrome comum caracterizada por dor ou desconforto na parte superior do abdome, que pode incluir saciedade precoce, plenitude pós-prandial e queimação epigástrica. Quando não há causa orgânica identificável após investigação, é classificada como dispepsia funcional. A prevalência é alta na população geral, e a abordagem na atenção primária é crucial, visando aliviar os sintomas e excluir condições mais graves. Em mulheres jovens com dor epigástrica crônica e sem sinais de alarme, a investigação deve ser sistemática. A exclusão de gravidez com beta HCG é uma etapa inicial padrão para qualquer dor abdominal em mulheres em idade fértil. Embora a infecção por H. pylori seja uma causa comum de dispepsia e deva ser investigada, a questão direciona para uma abordagem mais ampla na atenção primária. Parasitoses intestinais, como giardíase, podem causar sintomas dispépticos e são prevalentes em muitas regiões, justificando a consideração de tratamento empírico com albendazol e nitazoxanida, especialmente se outros fatores de risco estiverem presentes. A ausência de sinais de alarme (como perda de peso, vômitos persistentes, disfagia) geralmente permite uma abordagem inicial conservadora, evitando a endoscopia digestiva alta imediata. A terapia nutricional é importante para o manejo sintomático, mas raramente é a única conduta inicial. Portanto, a combinação de exclusão de gravidez e tratamento empírico para parasitoses, embora não seja a primeira linha em todas as diretrizes para dispepsia funcional, pode ser uma estratégia válida e abrangente em um contexto de atenção primária, especialmente se a prevalência local de parasitoses for alta.
Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, disfagia, odinofagia, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), anemia, massa abdominal palpável e história familiar de câncer gastrointestinal.
O beta HCG é fundamental para excluir gravidez, especialmente ectópica, que pode apresentar dor abdominal e epigástrica, e para guiar a escolha de medicamentos, evitando teratogênicos.
O tratamento empírico para parasitoses pode ser considerado em pacientes com dispepsia sem sinais de alarme, especialmente em regiões de alta prevalência ou quando há outros fatores de risco, pois algumas parasitoses podem causar sintomas gastrointestinais inespecíficos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo