MedEvo Simulado — Prova 2026
Mulher de 34 anos, advogada, sem comorbidades prévias, procura atendimento médico com queixa de dor e sensação de queimação em região epigástrica há cerca de dois meses. Relata que o desconforto é intermitente, muitas vezes acompanhado de sensação de plenitude após as refeições e eructações ocasionais. Nega perda ponderal, vômitos, disfagia, melena ou despertares noturnos devido à dor. Não faz uso regular de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e não possui histórico familiar de neoplasias gastrointestinais. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corada, hidratada, com abdome plano, ruídos hidroaéreos presentes e leve dor à palpação profunda do epigástrio, sem massas ou visceromegalias. Sinais vitais normais. De acordo com o quadro clínico apresentado e os princípios do raciocínio clínico, a conduta inicial mais adequada é:
Dispepsia em < 40-45 anos sem sinais de alarme → Estratégia Test-and-Treat para H. pylori.
Em pacientes jovens com dispepsia e sem sinais de alerta, a pesquisa não invasiva de H. pylori é a conduta inicial preferencial antes de exames invasivos como a EDA.
A dispepsia é uma das queixas gastrointestinais mais comuns na prática clínica, englobando sintomas como dor epigástrica, queimação, plenitude pós-prandial e saciedade precoce. O raciocínio clínico deve priorizar a exclusão de doenças orgânicas graves, especialmente neoplasias, através da identificação de sinais de alarme e da análise da idade do paciente. Em pacientes jovens e estáveis, a fisiopatologia muitas vezes envolve sensibilidade visceral aumentada ou distúrbios da motilidade gástrica. A abordagem diagnóstica evoluiu para priorizar métodos não invasivos em populações de baixo risco. A erradicação do H. pylori não apenas trata a gastrite ativa, mas também pode resolver os sintomas dispépticos em uma parcela significativa de pacientes, além de reduzir o risco futuro de úlcera péptica e adenocarcinoma gástrico. O conhecimento das diretrizes nacionais e internacionais (como o Consenso de Roma) é essencial para evitar o uso excessivo de recursos diagnósticos invasivos.
Os sinais de alarme que justificam a realização imediata de endoscopia digestiva alta (EDA) incluem perda ponderal involuntária, disfagia progressiva, odinofagia, vômitos persistentes, evidência de sangramento gastrointestinal (melena ou hematêmese), anemia ferropriva inexplicada, massa abdominal palpável ou linfadenopatia, e história familiar de câncer gástrico em parentes de primeiro grau. A presença de qualquer um desses sinais em um paciente com queixas dispépticas exige investigação imediata para excluir neoplasias ou complicações estruturais graves.
A estratégia 'test-and-treat' consiste em realizar um teste não invasivo para a detecção do Helicobacter pylori (como o teste respiratório da ureia marcada ou a pesquisa de antígeno fecal) em pacientes com dispepsia não investigada que não apresentam sinais de alarme e estão abaixo da faixa etária de risco para câncer gástrico (geralmente < 45-55 anos). Se o teste for positivo, o tratamento de erradicação é iniciado. Se for negativo, considera-se o tratamento sintomático com IBP ou procinéticos. Essa abordagem reduz a necessidade de endoscopias desnecessárias.
A endoscopia digestiva alta (EDA) é indicada como conduta inicial em pacientes com dispepsia que apresentam sinais de alarme, independentemente da idade. Além disso, em regiões com alta prevalência de câncer gástrico, a idade de corte para triagem endoscópica pode ser reduzida (frequentemente para 40 ou 45 anos no Brasil). Pacientes que não respondem ao tratamento empírico inicial ou à erradicação do H. pylori também devem ser submetidos à EDA para avaliação de outras patologias estruturais.
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