Dispepsia: Quando Indicar Endoscopia Digestiva Alta?

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2022

Enunciado

A dispepsia acomete 44% da população adulta e é demanda frequente nos consultórios. Sobre a síndrome dispéptica, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A dispepsia funcional é responsável por 60% dos casos e é caracterizada por sintomas presentes por pelo menos três meses e ausência de alterações morfológica.
  2. B) Alguns medicamentos são responsáveis por sintomas dispépticos, devendo seu uso ser averiguado, como AINES, bifosfonados, corticosteroides, nitratos, teofilina e antagonistas do cálcio.
  3. C) A endoscopia digestiva alta está indicada na abordagem inicial de todos os pacientes com dispepsia, pois é o padrão-ouro para o diagnóstico.
  4. D) A abordagem centrada na pessoa é imprescindível para compreender os medos em relação aos sintomas e a expectativa em relação à investigação e ao tratamento.

Pérola Clínica

Endoscopia digestiva alta NÃO é indicada na abordagem inicial de TODOS os pacientes com dispepsia, mas sim em casos selecionados (sinais de alarme).

Resumo-Chave

A endoscopia digestiva alta não é um exame de rotina para todos os pacientes com dispepsia. Ela é reservada para pacientes com sinais de alarme (ex: perda de peso, disfagia, sangramento gastrointestinal, anemia) ou para aqueles acima de uma certa idade (geralmente > 60 anos) para excluir causas orgânicas graves.

Contexto Educacional

A dispepsia é uma síndrome comum caracterizada por dor ou desconforto na região epigástrica, plenitude pós-prandial precoce ou saciedade precoce. Afeta uma parcela significativa da população adulta e representa uma queixa frequente em consultórios de clínica geral e gastroenterologia. A compreensão de sua etiologia e manejo é fundamental para a prática médica. A maioria dos casos de dispepsia é funcional, sem uma causa orgânica identificável, e é diagnosticada com base nos critérios de Roma IV, que exigem a presença de sintomas por pelo menos três meses. No entanto, é crucial excluir causas orgânicas como úlceras pépticas, esofagite, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), colelitíase ou, mais raramente, neoplasias. A história clínica detalhada, incluindo a revisão de medicamentos em uso, é essencial. A abordagem inicial da dispepsia deve ser estratificada. Em pacientes jovens sem sinais de alarme, pode-se optar por uma estratégia de "testar e tratar" para Helicobacter pylori ou terapia empírica com inibidores da bomba de prótons (IBP). A endoscopia digestiva alta é reservada para pacientes com sinais de alarme (como perda de peso, disfagia, sangramento) ou para aqueles acima de uma certa idade (geralmente > 60 anos), visando identificar ou excluir patologias graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais tipos de dispepsia?

A dispepsia pode ser funcional (sem causa orgânica aparente, responsável pela maioria dos casos) ou orgânica (associada a úlceras, esofagite, câncer, etc.).

Quais são os sinais de alarme na dispepsia que justificam a endoscopia?

Sinais de alarme incluem disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia, sangramento gastrointestinal, vômitos persistentes e massa abdominal palpável.

Quais medicamentos podem causar sintomas dispépticos?

Diversos medicamentos podem induzir dispepsia, como AINEs, bifosfonados, corticosteroides, nitratos, teofilina e antagonistas do cálcio, sendo importante revisar a farmacoterapia do paciente.

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