Dispareunia: Diagnóstico e Manejo das Causas Comuns

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

A respeito da dispareunia, julgue os próximos itens.I A dispareunia de penetração pode estar relacionada a problemas como vulvodínia e vaginismo, causas passíveis de diagnóstico em consultório por meio do exame físico ginecológico, com possibilidade de melhora clínica pela associação de fisioterapia pélvica e avaliações psicológicas.II A dispareunia de profundidade pode estar correlacionada à doença inflamatória pélvica, cujos critérios maiores para o diagnóstico clínico são dor no hipogástrio, dor à palpação das regiões anexiais e dor à mobilização do colo uterino.III Em se tratando de quadro de doença inflamatória pélvica aguda, com salpingite aguda com um abcesso tubo-ovariano íntegro de 2 cm, o tratamento não pode ser ambulatorial, devendo-se optar pela internação para antibioticoterapia venosa.Assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) Apenas os itens I e II estão certos.
  2. B) Apenas os itens I e III estão certos.
  3. C) Apenas os itens II e III estão certos.
  4. D) odos os itens estão certos.

Pérola Clínica

Dispareunia: penetração (vulvodínia/vaginismo) e profundidade (DIP/endometriose) exigem abordagem multidisciplinar.

Resumo-Chave

A dispareunia pode ser superficial (penetração) ou profunda. A dispareunia de penetração frequentemente envolve vulvodínia e vaginismo, com diagnóstico clínico e benefício de fisioterapia pélvica e apoio psicológico. A dispareunia de profundidade pode indicar condições como DIP ou endometriose, sendo a DIP diagnosticada por critérios clínicos e o tratamento de abscesso tubo-ovariano íntegro < 3 cm podendo ser ambulatorial.

Contexto Educacional

A dispareunia, ou dor durante a relação sexual, é uma queixa comum que afeta significativamente a qualidade de vida das mulheres. Ela pode ser classificada como dispareunia de penetração (superficial) ou de profundidade. A dispareunia de penetração frequentemente está associada a condições como vulvodínia (dor crônica na vulva sem causa aparente) e vaginismo (contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico), que são diagnosticáveis clinicamente e se beneficiam de abordagens multidisciplinares, incluindo fisioterapia pélvica e suporte psicológico. A dispareunia de profundidade, por sua vez, pode ser um sintoma de condições pélvicas mais complexas, como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP) ou endometriose. A DIP é uma infecção do trato genital superior feminino, cujos critérios diagnósticos clínicos incluem dor abdominal baixa, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. O manejo da DIP é crucial para prevenir sequelas como infertilidade e dor pélvica crônica. Em relação ao tratamento da DIP, a presença de um abscesso tubo-ovariano íntegro e pequeno (geralmente < 3-4 cm) em pacientes estáveis e sem sinais de sepse pode, em casos selecionados, ser tratada ambulatorialmente com antibioticoterapia oral. No entanto, abscessos maiores, ruptura ou piora clínica exigem internação e tratamento endovenoso. Residentes devem estar aptos a diferenciar as causas da dispareunia e a aplicar os critérios diagnósticos e as diretrizes de tratamento para DIP, considerando sempre a abordagem individualizada da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais diferenças entre dispareunia de penetração e de profundidade?

A dispareunia de penetração ocorre na entrada da vagina ou durante a penetração inicial, frequentemente associada a vulvodínia, vaginismo ou atrofia vaginal. A dispareunia de profundidade é sentida na pelve durante a penetração mais profunda, podendo ser causada por condições como doença inflamatória pélvica (DIP) ou endometriose.

Quais são os critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios maiores para o diagnóstico clínico de DIP incluem dor no hipogástrio, dor à palpação das regiões anexiais e dor à mobilização do colo uterino. Critérios adicionais, como febre, leucocitose e aumento de PCR/VHS, podem apoiar o diagnóstico.

Quando um abscesso tubo-ovariano pode ser tratado ambulatorialmente?

Um abscesso tubo-ovariano íntegro, com diâmetro inferior a 3-4 cm, em paciente com bom estado geral, sem sinais de sepse e com boa adesão ao tratamento, pode ser manejado ambulatorialmente com antibioticoterapia oral, sob monitoramento rigoroso. Abscessos maiores ou pacientes com piora clínica geralmente requerem internação e tratamento venoso.

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