AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Zulmira, 36 anos, professora, casada, G2C1P1. Procurou atendimento médico por apresentar há 2 dias náuseas, diarreia em episódio único de fezes amolecidas associado a dor abdominal em baixo ventre e cefaleia de moderada intensidade. Nega comorbidades, alergias ,ou intolerâncias conhecidas. Recorrêncla mensal de sintomas desde o início deste ano. Sobre o caso clínico é possível afirmar que
Sintomas cíclicos recorrentes (GI, cefaleia, dor pélvica) em mulher jovem → investigar dismenorreia secundária.
A recorrência mensal dos sintomas, incluindo dor abdominal em baixo ventre e cefaleia, sugere uma etiologia cíclica, como a dismenorreia. Embora os sintomas gastrointestinais possam confundir, a periodicidade é chave para direcionar a investigação para causas ginecológicas, como endometriose ou adenomiose, que podem mimetizar outras condições.
A dismenorreia secundária é uma condição ginecológica comum, definida como dor pélvica associada à menstruação que se desenvolve em mulheres que previamente não apresentavam dor menstrual ou que tiveram um agravamento significativo da dor. Afeta mulheres em idade reprodutiva, com prevalência variando e impactando significativamente a qualidade de vida e a capacidade laboral. É crucial para o residente reconhecer seus padrões para um diagnóstico precoce e manejo adequado. A fisiopatologia envolve uma causa orgânica subjacente, como endometriose, adenomiose, miomas uterinos ou doença inflamatória pélvica. A suspeita deve surgir diante de sintomas cíclicos recorrentes, como dor pélvica, dismenorreia que piora com o tempo, dispareunia, infertilidade ou sintomas gastrointestinais/urinários relacionados ao ciclo. O diagnóstico é feito através de anamnese detalhada, exame físico ginecológico e exames complementares como ultrassonografia pélvica, ressonância magnética e, em alguns casos, laparoscopia diagnóstica. O tratamento da dismenorreia secundária é direcionado à causa subjacente. Pode incluir analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), terapia hormonal (contraceptivos orais combinados, progestagênios) para suprimir a ovulação e o crescimento de lesões endometrióticas, ou intervenções cirúrgicas para remover miomas, cistos ou lesões de endometriose. O prognóstico depende da causa e da resposta ao tratamento, sendo fundamental um acompanhamento contínuo para manejo dos sintomas e prevenção de recorrências.
A dismenorreia secundária é caracterizada por dor pélvica que se inicia mais tarde na vida, geralmente após os 25 anos, e pode vir acompanhada de outros sintomas como dispareunia, infertilidade, sangramento uterino anormal e sintomas gastrointestinais ou urinários cíclicos, diferentemente da primária que se manifesta desde a menarca.
A investigação inicial deve incluir uma anamnese detalhada sobre o ciclo menstrual, características da dor e sintomas associados, seguida de um exame físico ginecológico completo. Exames complementares como ultrassonografia pélvica transvaginal são frequentemente indicados para buscar causas orgânicas.
As principais causas incluem endometriose (dor pélvica crônica, dispareunia, infertilidade), adenomiose (útero aumentado e doloroso, sangramento uterino anormal), miomas uterinos (sangramento intenso, dor pélvica) e doença inflamatória pélvica (dor crônica, febre, corrimento).
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