UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Adolescente, 16 anos de idade, relata dismenorreia incapacitante com perda escolar recorrente desde a menarca aos 12 anos de idade. Já fez uso de vários anti-inflamatórios não hormonais, analgésicos e anticoncepcional oral combinado cíclico por 6 meses, com pouca resposta. Nega início de vida sexual. Exame físico: abdome doloroso em hipogástrio. Ultrassonografia abdominal e pélvica sem alterações. Qual é a conduta mais adequada?
Dismenorreia refratária a ACO cíclico + USG normal → Progestagênio contínuo antes de laparoscopia.
Em adolescentes com dismenorreia incapacitante que falharam ao tratamento inicial com AINEs e ACO cíclico, a transição para regime contínuo visa a amenorreia e controle sintomático antes de propedêutica invasiva.
A dismenorreia na adolescência é classificada em primária (sem patologia pélvica) ou secundária (associada a condições como endometriose ou malformações). O tratamento inicial envolve AINEs e anticoncepcionais orais combinados (ACO). Quando há falha terapêutica, a transição para o uso contínuo de hormônios é a estratégia preferencial para induzir amenorreia e controlar a dor mediada por prostaglandinas. A laparoscopia diagnóstica é indicada apenas após falha do tratamento clínico otimizado, visando identificar focos de endometriose que podem se apresentar como lesões avermelhadas ou vesículas claras em pacientes jovens.
A suspeita de endometriose deve ocorrer em adolescentes com dismenorreia grave que não responde a analgésicos comuns, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) ou ao uso de anticoncepcionais orais combinados cíclicos. Diferente das adultas, a ultrassonografia pélvica em adolescentes frequentemente é normal, pois as lesões costumam ser superficiais e não formam endometriomas visíveis ao exame de imagem convencional. A dor que causa absenteísmo escolar é um sinal de alerta importante para a investigação de causas secundárias.
O uso de progestagênio contínuo ou anticoncepcionais em regime estendido visa promover a amenorreia, o que reduz drasticamente a produção de prostaglandinas e a descamação endometrial, aliviando a dor. Em adolescentes, a videolaparoscopia é considerada o padrão-ouro para diagnóstico de endometriose, mas deve ser reservada para casos que permanecem sintomáticos mesmo após a tentativa de supressão hormonal por pelo menos 3 a 6 meses, evitando procedimentos invasivos desnecessários em pacientes jovens.
A ultrassonografia (preferencialmente abdominal em virgens) é útil para excluir malformações obstrutivas do trato genital (como hímen imperfurado ou útero didelfo com corno rudimentar) e grandes massas anexiais. No entanto, um resultado normal não exclui endometriose peritoneal superficial, que é a forma mais comum na adolescência. Portanto, a conduta clínica deve ser guiada pela gravidade dos sintomas e pela resposta terapêutica, e não apenas pelos achados de imagem.
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