Dismenorreia: Fisiopatologia e Mecanismo da Dor Menstrual

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020

Enunciado

Na dismenorreia, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Ocorre por aumento local das prostaglandinas por ação da cicloxigenase sobre o ácido aracdônico.
  2. B) Na dismenorreia primária a cólica antecede o fluxo e perdura todo o período menstrual.
  3. C) Na dismenorreia secundária a cólica inicia somente após o surgimento do fluxo.
  4. D) A causa pode ser congênita e entre elas encontramos o hímen complacente.
  5. E) Geralmente a dor é lombar com irradiação para flancos, hipocôndrios e nas coxas.

Pérola Clínica

Dismenorreia primária → ↑ prostaglandinas locais por ação da cicloxigenase sobre ácido araquidônico.

Resumo-Chave

A dismenorreia primária é causada pelo aumento da produção de prostaglandinas no endométrio, que leva a contrações uterinas intensas e isquemia. O ácido araquidônico é o precursor das prostaglandinas, e a cicloxigenase é a enzima chave nesse processo, explicando a eficácia dos AINEs.

Contexto Educacional

A dismenorreia, ou dor menstrual, é uma queixa ginecológica comum que afeta significativamente a qualidade de vida de muitas mulheres. A dismenorreia primária, sem causa orgânica identificável, é a forma mais prevalente e sua fisiopatologia está bem estabelecida. Ela é caracterizada por um aumento na produção de prostaglandinas (PGF2α e PGE2) no endométrio durante a fase lútea tardia e o início da menstruação. Essas prostaglandinas, sintetizadas a partir do ácido araquidônico pela ação da cicloxigenase, causam contrações uterinas excessivas e isquemia miometrial, resultando na dor característica. O diagnóstico da dismenorreia primária é clínico, baseado na história e exclusão de causas secundárias. A dor geralmente começa 1-2 dias antes ou no início do fluxo menstrual e dura de 12 a 72 horas. O tratamento de primeira linha inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que atuam inibindo a síntese de prostaglandinas, e contraceptivos hormonais combinados, que reduzem a proliferação endometrial e, consequentemente, a produção de prostaglandinas. Para residentes, é crucial diferenciar a dismenorreia primária da secundária, que possui uma causa orgânica subjacente (ex: endometriose, adenomiose, miomas) e requer investigação e tratamento específicos. Uma abordagem diagnóstica e terapêutica adequada melhora o manejo da dor e a qualidade de vida das pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da dismenorreia primária?

Os sintomas incluem dor pélvica em cólica, geralmente na região suprapúbica, que pode irradiar para a região lombar e coxas. Pode ser acompanhada por náuseas, vômitos, diarreia, fadiga e cefaleia, iniciando pouco antes ou com o fluxo menstrual.

Como os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) atuam na dismenorreia?

Os AINEs inibem a enzima cicloxigenase (COX), que é responsável pela síntese de prostaglandinas a partir do ácido araquidônico. Ao reduzir a produção de prostaglandinas, os AINEs diminuem as contrações uterinas e a isquemia, aliviando a dor.

Quando suspeitar de dismenorreia secundária?

Deve-se suspeitar de dismenorreia secundária quando a dor inicia mais tarde na vida (após os 25 anos), é progressiva, não responde aos tratamentos habituais, ou é acompanhada por outros sintomas como dispareunia, sangramento uterino anormal ou infertilidade. Causas comuns incluem endometriose e adenomiose.

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