Dismenorreia Primária: Tratamento e Manejo da Dor Menstrual

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 20 anos, queixa-se de cólica intensa durante os ciclos menstruais regulares e mensais. Nega outras comorbidades ou uso de medicamentos, com exceção de anti-inflamatórios e analgésicos por ocasião da dor menstrual. Avaliação clínica geral sem alterações. Exame ginecológico especular com conteúdo vaginal habitual, colo epitelizado; toque vaginal colo fibroelástico, fórnices vaginais regulares sem massas identificáveis e dor no fórnice vaginal posterior, útero antevertido e volume regular, não doloroso, regiões anexiais sem achados significativos. Assinale qual é a conduta mais adequada neste momento. 

Alternativas

  1. A) Inserir sistema intrauterino de progesterona. 
  2. B) Iniciar contraceptivo hormonal oral combinado. 
  3. C) Prosseguir na investigação com ressonância magnética pélvica. 
  4. D) Prosseguir na investigação com ultrassom e preparo intestinal.

Pérola Clínica

Dismenorreia primária em jovem sem achados patológicos → primeira linha de tratamento é AINEs ou contraceptivos hormonais.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de dismenorreia primária: cólica intensa em ciclos regulares, sem achados patológicos ao exame físico ou comorbidades. A primeira linha de tratamento, após falha de analgésicos e AINEs, são os contraceptivos hormonais combinados, que suprimem a ovulação e reduzem a produção de prostaglandinas, aliviando a dor.

Contexto Educacional

A dismenorreia primária é uma condição ginecológica comum, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva, especialmente adolescentes. É definida como dor pélvica cíclica associada à menstruação, na ausência de patologia pélvica identificável. Sua importância clínica reside no impacto significativo na qualidade de vida das pacientes, levando a absenteísmo escolar e laboral. A fisiopatologia envolve a produção excessiva de prostaglandinas no endométrio durante a fase lútea tardia e menstruação, levando a contrações uterinas intensas e isquemia. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exclusão de causas secundárias através de exame físico e, se necessário, ultrassonografia pélvica. No caso da paciente, a ausência de achados no exame ginecológico e a história típica apontam para dismenorreia primária. O tratamento inicial para dismenorreia primária inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e analgésicos. Se estes forem insuficientes ou se houver desejo contraceptivo, os contraceptivos hormonais orais combinados são a terapia de primeira linha mais eficaz, pois suprimem a ovulação e reduzem a produção de prostaglandinas. Outras opções incluem progestagênios isolados ou SIU hormonal, mas geralmente após falha da terapia oral ou em contextos específicos.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da dismenorreia primária?

A dismenorreia primária é caracterizada por dor pélvica cíclica e intensa durante a menstruação, geralmente começando na adolescência, sem evidência de patologia pélvica subjacente.

Por que os contraceptivos hormonais orais combinados são eficazes para a dismenorreia?

Os contraceptivos hormonais orais combinados suprimem a ovulação e a proliferação endometrial, reduzindo a produção de prostaglandinas, que são os principais mediadores da dor e contrações uterinas na dismenorreia.

Quando é indicada a investigação adicional para dor pélvica em casos de dismenorreia?

A investigação adicional, como ultrassom ou ressonância magnética pélvica, é indicada quando há suspeita de dismenorreia secundária (início tardio, dor progressiva, achados anormais ao exame) ou falha do tratamento empírico inicial.

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