Dismenorreia Primária: Fisiopatologia e Abordagem Terapêutica

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Jovem de 19 anos, estudante universitária, nuligesta, procura atendimento ginecológico queixando-se de cólicas menstruais, principalmente no primeiro dia, com moderada intensidade e que normalmente não a incapacitam. Nega surgimento da dor antes do fluxo menstrual. Informa que as cólicas se tornaram mais frequentes nos últimos anos, justamente quando os ciclos menstruais passaram a ser mais regulares. Tomou antiespasmódicos comuns indicados por sua mãe, mas sem bons resultados. Refere atividade sexual esporádica, quando usa preservativo e nega dispareunia. Ao exame ginecológico, nada digno de nota.

Alternativas

  1. A) A produção endometrial aumentada de prostaglandinas encontra-se na base da fisiopatologia desse distúrbio.
  2. B) Apesar da vida sexual, a pílula anticoncepcional deve ser evitada neste caso, pois é sabido que pode piorar os sintomas.
  3. C) Antes de qualquer iniciativa de tratamento, é obrigatório realizar exame de ultrassonografia pélvica.
  4. D) A laparoscopia se impõe para descartar endometriose em casos desse tipo.

Pérola Clínica

Dismenorreia primária = dor menstrual sem causa orgânica, fisiopatologia ligada à ↑ produção endometrial de prostaglandinas.

Resumo-Chave

A dismenorreia primária é caracterizada por cólicas menstruais sem patologia pélvica identificável. Sua fisiopatologia está intrinsecamente ligada ao aumento da produção de prostaglandinas no endométrio, que causam contrações uterinas e isquemia, resultando em dor.

Contexto Educacional

A dismenorreia primária é uma condição ginecológica comum, afetando uma grande porcentagem de mulheres jovens. Caracteriza-se por dor pélvica cíclica que ocorre durante a menstruação, sem uma causa orgânica identificável. A dor geralmente começa na adolescência, após o estabelecimento de ciclos ovulatórios regulares. É importante diferenciá-la da dismenorreia secundária, que tem uma causa subjacente. A fisiopatologia da dismenorreia primária está bem estabelecida e envolve o aumento da produção de prostaglandinas (especialmente PGF2α e PGE2) no endométrio durante a fase lútea tardia e a menstruação. Essas prostaglandinas causam contrações uterinas intensas e prolongadas, vasoconstrição e isquemia miometrial, levando à dor. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico normal. O tratamento de primeira linha inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que atuam inibindo a síntese de prostaglandinas. Se os AINEs forem ineficazes ou houver necessidade de contracepção, os contraceptivos hormonais combinados são uma excelente opção, pois suprimem a ovulação e a proliferação endometrial, reduzindo a produção de prostaglandinas e, consequentemente, a dor. A ultrassonografia pélvica não é obrigatória em casos típicos de dismenorreia primária.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para dismenorreia primária?

A dismenorreia primária é diagnosticada pela presença de dor pélvica cíclica, geralmente iniciando pouco antes ou no início da menstruação, sem evidência de patologia pélvica subjacente ao exame físico e, se necessário, exames de imagem.

Como as prostaglandinas causam dor na dismenorreia primária?

Durante a menstruação, o endométrio libera prostaglandinas (especialmente PGF2α), que causam contrações miometriais intensas, vasoconstrição e isquemia uterina, resultando na dor característica da cólica menstrual.

Quais são as opções de tratamento para dismenorreia primária?

O tratamento inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que inibem a síntese de prostaglandinas, e contraceptivos hormonais combinados, que suprimem a ovulação e reduzem a proliferação endometrial, diminuindo a produção de prostaglandinas.

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