Dismenorreia Primária: Tratamento e Diagnóstico

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 17 anos, menarca aos 12 anos, ciclos menstruais regulares com volume normal, com vida sexual ativa em uso de preservativo como método contraceptivo refere em consulta de rotina cólicas menstruais que a estão incomodando. Ela apresenta dismenorreia desde os primeiros anos do menacme, sempre se iniciando um dia antes do início do ciclo menstrual, com piora no 1º dia e melhora progressiva até o término do fluxo. Nega que os sintomas tenham piorado nos últimos anos. A dor é leve a moderada e não utiliza medicações, apenas compressa quente. Nega dispareunia ou dor pélvica fora do período menstrual. Refere hábito intestinal normal e não tem queixas urinárias. Ao exame ginecológico não há alterações ou dor. O exame de ultrassonografia transvaginal resultou normal. Diante da descrição do quadro, assinale a alternativa para a condução do caso.

Alternativas

  1. A) A primeira linha de tratamento é o anticoncepcional oral, caso não haja contraindicação.
  2. B) Deve-se ampliar a propedêutica com ressonância magnética de pelve antes de iniciar o tratamento.
  3. C) A primeira linha de tratamento é o uso de analgésicos simples, caso não melhore, solicitar a ressonância magnética de pelve.
  4. D) Deve-se ampliar a pesquisa para endometriose com ultrassonografia com preparo intestinal e laparoscopia.

Pérola Clínica

Dismenorreia primária: dor cíclica sem causa orgânica, início precoce, exame normal → AINEs ou ACO como 1ª linha.

Resumo-Chave

A dismenorreia primária é um diagnóstico de exclusão, caracterizada por dor pélvica cíclica sem patologia orgânica. A primeira linha de tratamento inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e contraceptivos hormonais combinados (anticoncepcionais orais), que atuam na fisiopatologia da doença.

Contexto Educacional

A dismenorreia primária é uma condição comum que afeta muitas mulheres jovens, caracterizada por dor pélvica cíclica associada à menstruação, na ausência de patologia pélvica identificável. Geralmente, os sintomas começam na adolescência, dentro de 6 a 12 meses após a menarca, uma vez que os ciclos ovulatórios são estabelecidos. A dor é tipicamente em cólica, localizada na região suprapúbica, podendo irradiar para as costas ou coxas, e é mais intensa no primeiro ou segundo dia do fluxo menstrual. A fisiopatologia da dismenorreia primária envolve a produção excessiva de prostaglandinas (PGF2α e PGE2) no endométrio durante a menstruação. Essas prostaglandinas causam contrações uterinas fortes e isquemia miometrial, levando à dor. O diagnóstico é clínico, baseado na história e na exclusão de causas secundárias através de exame físico e, se necessário, ultrassonografia pélvica, que geralmente se mostra normal. O tratamento de primeira linha para a dismenorreia primária inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que inibem a síntese de prostaglandinas, e contraceptivos hormonais combinados (anticoncepcionais orais), que suprimem a ovulação e reduzem a proliferação endometrial, diminuindo a produção de prostaglandinas. A escolha entre AINEs e anticoncepcionais depende da preferência da paciente, necessidade de contracepção e contraindicações. A ampliação da propedêutica com exames mais invasivos só é justificada se houver suspeita de dismenorreia secundária, como endometriose ou adenomiose.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da dismenorreia primária?

A dismenorreia primária tipicamente se inicia na adolescência, com dor cíclica que começa pouco antes ou no início da menstruação, atinge o pico no primeiro dia e melhora progressivamente. Não há evidência de patologia pélvica subjacente.

Qual a fisiopatologia da dismenorreia primária?

A dor na dismenorreia primária é causada pela produção excessiva de prostaglandinas no endométrio durante a menstruação, levando a contrações uterinas intensas, isquemia e hipersensibilidade neural.

Quais são as opções de tratamento de primeira linha para dismenorreia primária?

As opções de primeira linha incluem anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que inibem a síntese de prostaglandinas, e contraceptivos hormonais combinados (anticoncepcionais orais), que suprimem a ovulação e reduzem a proliferação endometrial.

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