Dismenorreia Primária: Diagnóstico e Tratamento Inicial

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 18 anos de idade, refere cólica menstrual importante, iniciando um dia antes do fluxo menstrual. Refere ciclos menstruais regulares de 30 dias com duração de 4 dias. Menarca 12 anos e aparecimento das cólicas desde os 16 anos. Iniciou vida sexual aos 17 anos, faz uso de preservativo irregularmente. Nega dor à relação sexual, refere orgasmo. Exame clínico geral sem alterações. Exame ginecológico com genitais externos sem alteração, especular conteúdo vaginal habitual, colo epitelizado. Toque vaginal útero em anteversoflexão, volume habitual, móvel, não doloroso, regiões anexiais livres e indolores. Qual é o tratamento inicial adequado?

Alternativas

  1. A) Ácido mefenâmico.
  2. B) Gestriona.
  3. C) Azitromicina.
  4. D) DIU progesterona.
  5. E) Fluoxetina.

Pérola Clínica

Dismenorreia primária: primeira linha de tratamento são AINEs (ex: ácido mefenâmico) e/ou contraceptivos hormonais combinados.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de dismenorreia primária, caracterizada por dor menstrual sem causa orgânica aparente, com início após a menarca e exame ginecológico normal. O tratamento inicial de escolha são os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e/ou contraceptivos hormonais.

Contexto Educacional

A dismenorreia primária é uma condição comum em adolescentes e mulheres jovens, caracterizada por dor pélvica cíclica associada à menstruação, sem uma causa orgânica identificável. A dor geralmente começa pouco antes ou com o início do fluxo menstrual e dura de 1 a 3 dias. A fisiopatologia envolve a produção excessiva de prostaglandinas pelo endométrio, que causam contrações uterinas intensas e isquemia miometrial, resultando em dor. O diagnóstico é clínico, baseado na história e em um exame ginecológico normal, que exclui causas secundárias. O tratamento inicial para dismenorreia primária é focado no alívio da dor e na redução da produção de prostaglandinas. A primeira linha de tratamento inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ácido mefenâmico, ibuprofeno ou naproxeno, que devem ser iniciados um ou dois dias antes do início esperado da menstruação ou no primeiro sinal de dor. Eles são altamente eficazes na maioria das pacientes. Para pacientes que não respondem aos AINEs, ou que também desejam contracepção, os contraceptivos hormonais (orais combinados, adesivos, anel vaginal, injetáveis ou DIU hormonal liberador de levonorgestrel) são uma excelente segunda linha. Eles atuam suprimindo a ovulação e diminuindo a proliferação endometrial, o que reduz a produção de prostaglandinas. Outras opções, como gestriona (um progestágeno sintético com efeitos androgênicos) ou fluoxetina (antidepressivo), não são tratamentos de primeira linha para dismenorreia primária. Azitromicina é um antibiótico e não tem papel no tratamento da dismenorreia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de dismenorreia primária?

A dismenorreia primária é caracterizada por dor pélvica cíclica associada à menstruação, sem evidência de patologia pélvica subjacente, geralmente iniciando na adolescência, 6 a 12 meses após a menarca.

Por que os AINEs são eficazes no tratamento da dismenorreia primária?

Os AINEs atuam inibindo a síntese de prostaglandinas, que são mediadores inflamatórios liberados pelo endométrio durante a menstruação e que causam contrações uterinas dolorosas e isquemia miometrial.

Quando considerar o uso de contraceptivos hormonais para dismenorreia?

Contraceptivos hormonais (orais, injetáveis, adesivos, anel vaginal ou DIU hormonal) são uma excelente opção para dismenorreia primária, especialmente se a paciente também deseja contracepção, pois reduzem a proliferação endometrial e a produção de prostaglandinas.

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