Dismenorreia Primária: Fisiopatologia e Tratamento Eficaz

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Sobre a dismenorreia, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A dismenorreia primária geralmente se inicia após os 25 anos e está associada a alterações anatômicas no sistema reprodutor.
  2. B) A dismenorreia secundária ocorre em adolescentes saudáveis e está associada a um aumento da atividade da prostaglandina F2α no endométrio.
  3. C) A dismenorreia primária é comum em mulheres jovens e é causada pelo aumento de prostaglandinas, que provocam contrações uterinas intensas e dor.
  4. D) O tratamento da dismenorreia primária consiste exclusivamente no uso de contraceptivos orais, independentemente da intensidade dos sintomas.

Pérola Clínica

Dismenorreia primária = ↑ Prostaglandinas em ciclos ovulatórios → dor tipo cólica em jovens sem patologia pélvica associada.

Resumo-Chave

A dismenorreia primária é funcional, causada pela liberação excessiva de prostaglandinas (PGF2α) pelo endométrio, o que leva a contrações uterinas isquêmicas. O tratamento de primeira linha com AINEs visa inibir essa produção, aliviando a dor.

Contexto Educacional

Dismenorreia é a dor pélvica tipo cólica que ocorre durante a menstruação, sendo classificada como primária (sem patologia orgânica) ou secundária (causada por uma condição subjacente). A dismenorreia primária é extremamente comum, afetando até 90% das adolescentes e mulheres jovens, sendo uma causa importante de absenteísmo escolar e profissional. A fisiopatologia da dismenorreia primária envolve a superprodução de prostaglandinas, principalmente a PGF2α, no endométrio sob influência da progesterona. Isso causa hipercontratilidade miometrial, vasoconstrição e isquemia uterina, resultando em dor. O diagnóstico é clínico, baseado em uma história típica de dor que se inicia com os ciclos ovulatórios, geralmente de 6 a 12 meses após a menarca, em pacientes sem alterações no exame físico. O tratamento de primeira linha são os AINEs, que devem ser iniciados 1-2 dias antes do início esperado da menstruação para máxima eficácia. Se os AINEs forem ineficazes, contraindicados, ou se a contracepção for desejada, os contraceptivos hormonais combinados são uma excelente opção de segunda linha, pois suprimem a ovulação e reduzem a proliferação endometrial, diminuindo a produção de prostaglandinas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para investigar uma dismenorreia secundária?

Sinais de alerta incluem início da dor após os 25 anos, dor não limitada ao período menstrual (ex: dispareunia, disquesia), ausência de resposta ao tratamento com AINEs ou contraceptivos, e achados anormais no exame pélvico.

Por que os AINEs são a primeira linha no tratamento da dismenorreia primária?

Os AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroides) são a primeira linha porque atuam diretamente na fisiopatologia, inibindo a enzima ciclo-oxigenase (COX) e, consequentemente, a produção de prostaglandinas, que são as principais responsáveis pelas contrações uterinas dolorosas.

Como diferenciar a dor da dismenorreia primária da dor da endometriose?

A dor da dismenorreia primária é tipicamente uma cólica que começa horas antes ou com o início do fluxo menstrual e dura de 48 a 72 horas. A dor da endometriose pode ser crônica, acíclica, e frequentemente associada a dispareunia profunda e disquesia, piorando no período perimenstrual.

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