Dismenorreia Primária: Diagnóstico e Manejo Clínico

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 22 anos, com queixa de dor no hipogástrio, tipo cólica, recorrente, que coincide com os períodos menstruais e chega a interferir negativamente na qualidade de vida e nas atividades habituais. A paciente foi submetida a avaliação clínica rigorosa, exames laboratoriais e de imagem, não sendo identificada nenhuma doença de base. Neste caso, o diagnóstico é dismenorreia:

Alternativas

  1. A) Acíclica
  2. B) Primária
  3. C) Secundária
  4. D) Psicogênica

Pérola Clínica

Dismenorreia primária = cólica menstrual sem doença pélvica subjacente, comum em adolescentes/mulheres jovens.

Resumo-Chave

A dismenorreia primária é caracterizada por dor pélvica cíclica associada à menstruação, sem causa orgânica identificável. É uma condição comum que afeta a qualidade de vida e é mediada principalmente por prostaglandinas liberadas pelo endométrio.

Contexto Educacional

A dismenorreia, ou cólica menstrual, é uma queixa ginecológica extremamente comum, afetando significativamente a qualidade de vida de muitas mulheres. É classificada em primária e secundária, sendo fundamental para o residente saber diferenciá-las para um manejo adequado. A dismenorreia primária é mais prevalente em adolescentes e mulheres jovens, enquanto a secundária tende a surgir mais tarde na vida reprodutiva. A dismenorreia primária é definida pela presença de dor pélvica cíclica associada à menstruação, sem que haja uma doença pélvica orgânica identificável. A fisiopatologia envolve a liberação excessiva de prostaglandinas (PGF2α e PGE2) pelo endométrio durante a fase lútea tardia e menstruação. Essas prostaglandinas causam contrações uterinas intensas e isquemia miometrial, resultando na dor característica. O diagnóstico é de exclusão, após uma avaliação clínica rigorosa e exames complementares que afastem outras causas. Em contraste, a dismenorreia secundária é causada por uma condição patológica subjacente, como endometriose, adenomiose, miomas uterinos, doença inflamatória pélvica (DIP) ou estenose cervical. O tratamento da dismenorreia primária geralmente envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para inibir a síntese de prostaglandinas e/ou contraceptivos hormonais para suprimir a ovulação. O reconhecimento precoce e o tratamento eficaz são importantes para melhorar a qualidade de vida das pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da dismenorreia primária?

A dismenorreia primária é caracterizada por dor pélvica tipo cólica, recorrente, que coincide com os períodos menstruais, geralmente iniciando na adolescência ou início da vida adulta. O diagnóstico é feito por exclusão, após investigação clínica e exames que não identificam doença pélvica subjacente.

Como diferenciar dismenorreia primária de secundária?

A principal diferença é a presença de uma doença pélvica subjacente na dismenorreia secundária (ex: endometriose, miomas, adenomiose, DIP), enquanto na primária não há causa orgânica identificável. A dor na secundária pode iniciar mais tarde na vida e ser menos responsiva aos tratamentos habituais.

Qual a fisiopatologia da dismenorreia primária?

A dismenorreia primária é causada pela liberação excessiva de prostaglandinas pelo endométrio durante a menstruação. Essas prostaglandinas causam contrações uterinas intensas e isquemia miometrial, resultando na dor característica. O tratamento visa inibir a síntese de prostaglandinas ou suprimir a ovulação.

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