UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Mulher de 27 anos, em consulta na Unidade Básica de Saúde, apresenta dismenorreia incapacitante e progressiva desde a menarca. Relata que nos últimos 5 anos passou a apresentar limitações em sua vida diária devido ao quadro de dor pélvica, necessitando com frequência procurar ambiente hospitalar para administração de medicação endovenosa. AP: G0P0. Exame físico: IMC 29 kg/m2. Toque vaginal: colo fibroelástico, indolor à mobilização, útero intrapélvico, mobilidade preservada, pouco doloroso à palpação bimanual, anexos não palpáveis, sem massas ou coleções palpáveis em sua topografia, ausência de nodulações e espessamentos em fundo de saco posterior. US transvaginal: normal. A conduta é
Dismenorreia incapacitante progressiva + exame físico normal + USG normal → suspeitar endometriose, iniciar tratamento clínico.
Em mulheres jovens com dismenorreia incapacitante e progressiva, mesmo com exame físico e ultrassonografia transvaginal normais, a endometriose deve ser fortemente suspeitada. O tratamento inicial é clínico, com anti-inflamatórios e contraceptivos hormonais.
A dismenorreia incapacitante e progressiva, especialmente em mulheres jovens, é um sintoma cardinal da endometriose, uma condição caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. A endometriose afeta milhões de mulheres e pode ter um impacto significativo na qualidade de vida, causando dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade. O diagnóstico de endometriose pode ser desafiador, pois o exame físico e a ultrassonografia transvaginal convencional podem ser normais, especialmente em casos de lesões superficiais. No entanto, a história clínica de dor progressiva e incapacitante é altamente sugestiva. Exames mais avançados como USG transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética podem ser úteis, mas não são mandatórios para iniciar o tratamento. A conduta inicial para dismenorreia incapacitante com suspeita de endometriose é o tratamento clínico. Isso inclui o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para alívio da dor e, principalmente, contraceptivos hormonais (orais combinados ou progestagênios isolados) que visam suprimir a ovulação e o crescimento do tecido endometrial ectópico, aliviando a dor e retardando a progressão da doença. O encaminhamento para serviço especializado é indicado se o tratamento clínico falhar.
Dismenorreia intensa e progressiva, dor pélvica crônica, dispareunia, infertilidade e, menos frequentemente, sintomas urinários ou intestinais cíclicos.
A ultrassonografia transvaginal tem boa sensibilidade para endometriomas e endometriose profunda, mas pode não detectar lesões superficiais ou implantes pequenos, especialmente se não for realizada com preparo intestinal.
O tratamento clínico empírico com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e contraceptivos hormonais (orais combinados ou progestagênios isolados) é a primeira linha, visando suprimir a ovulação e reduzir a dor.
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