MedEvo Simulado — Prova 2026
Um paciente de 64 anos, sexo masculino, comparece à consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde. Apresenta histórico de infarto agudo do miocárdio com supra de ST ocorrido há três anos, tendo sido submetido à angioplastia primária com implante de stent farmacológico na artéria descendente anterior com sucesso. Atualmente, encontra-se assintomático do ponto de vista cardiovascular, em classe funcional I da NYHA. Faz uso regular de ácido acetilsalicílico 100 mg ao dia, enalapril 10 mg duas vezes ao dia e sinvastatina 20 mg ao dia. Nega tabagismo, não é diabético e pratica caminhadas leves três vezes por semana. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, pressão arterial de 126 por 74 mmHg, frequência cardíaca de 68 batimentos por minuto, ritmo cardíaco regular em dois tempos sem sopros e pulmões livres de ruídos adventícios. Traz exames laboratoriais realizados na semana anterior que demonstram: colesterol total de 168 mg/dL, HDL-colesterol de 42 mg/dL, LDL-colesterol de 94 mg/dL e triglicerídeos de 160 mg/dL. A função renal e as transaminases estão dentro da normalidade. Diante desse quadro clínico e laboratorial, qual é a conduta mais adequada para a otimização da prevenção secundária desse paciente?
Pós-IAM = Risco Muito Alto → Meta LDL < 50 mg/dL + Estatina de Alta Potência.
Pacientes em prevenção secundária após evento coronariano agudo são de muito alto risco cardiovascular, exigindo estatinas de alta potência para atingir metas rigorosas de LDL.
A prevenção secundária após um infarto agudo do miocárdio (IAM) é um pilar fundamental da cardiologia moderna. O objetivo principal é a estabilização das placas ateroscleróticas existentes e a prevenção de novos eventos isquêmicos. Evidências robustas de ensaios clínicos demonstram que "quanto menor o LDL, melhor", levando as diretrizes internacionais e nacionais a reduzirem progressivamente as metas lipídicas para pacientes de muito alto risco. A sinvastatina em dose baixa (20 mg) é considerada uma terapia de moderada a baixa intensidade, insuficiente para a maioria dos pacientes pós-IAM. A transição para fármacos mais potentes, como atorvastatina ou rosuvastatina, é mandatória para garantir a proteção endotelial e a redução da mortalidade cardiovascular.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pacientes de muito alto risco cardiovascular, como aqueles com doença aterosclerótica clinicamente manifesta (pós-IAM, AVC ou DAOP), devem atingir uma meta de LDL-colesterol inferior a 50 mg/dL. Além disso, recomenda-se uma redução de pelo menos 50% em relação ao valor basal de LDL. O uso de estatinas de alta potência, como Atorvastatina 40-80 mg ou Rosuvastatina 20-40 mg, é a primeira linha de tratamento para alcançar esses objetivos rigorosos.
Estatinas de alta potência são indicadas para todos os pacientes classificados como de alto ou muito alto risco cardiovascular, independentemente do nível basal de LDL. Elas são definidas pela capacidade de reduzir o LDL-C em ≥ 50%. Exemplos clássicos incluem a Atorvastatina nas doses de 40 a 80 mg e a Rosuvastatina nas doses de 20 a 40 mg. Pacientes pós-síndrome coronariana aguda devem iniciar essa terapia precocemente para estabilização da placa e redução de novos eventos.
Caso o paciente não atinja a meta de LDL (< 50 mg/dL para muito alto risco) após 4 a 6 semanas de uso de estatina de alta potência na dose máxima tolerada, a conduta recomendada é a associação de Ezetimiba 10 mg. Se, ainda assim, os níveis permanecerem acima da meta, deve-se considerar a adição de inibidores da PCSK9 (como Evolocumabe ou Alirocumabe), especialmente em pacientes com doença cardiovascular estabelecida e alto risco de recorrência.
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