USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Uma menina com 9 anos foi avaliada há 4 meses em função do pai de 32 anos apresentar dislipidemia e estar em tratamento com estatina há 2 anos. Esta paciente apresenta peso e estatura no percentil 75, tem aprendizagem normal e não utiliza nenhum tipo de medicamento ou suplementação nutricional ou vitamínica. Seu exame físico não apresenta anormalidades. Os pais informam que seguiram a maior parte das recomendações nutricionais e de atividade física recomendada na avaliação anterior. Abaixo estão os resultados dos exames realizados na primeira avaliação e atualmente. Qual é a conduta mais adequada para esta paciente neste momento?
Criança com dislipidemia persistente e histórico familiar de doença cardiovascular precoce → considerar tratamento farmacológico (estatina).
Em crianças com histórico familiar de dislipidemia e doença cardiovascular precoce, e que mantêm níveis elevados de colesterol LDL apesar das mudanças no estilo de vida, a introdução de estatina pode ser indicada para reduzir o risco cardiovascular futuro.
A dislipidemia pediátrica, especialmente a hipercolesterolemia familiar, é uma condição de crescente preocupação devido ao seu impacto no risco cardiovascular futuro. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir a progressão da aterosclerose. A abordagem inicial sempre envolve intensas mudanças no estilo de vida, incluindo dieta saudável e atividade física regular. No entanto, em pacientes com hipercolesterolemia familiar e histórico de doença cardiovascular precoce na família, as medidas não farmacológicas podem ser insuficientes. Nesses casos, após um período de tentativa e falha das intervenções de estilo de vida, a introdução de tratamento farmacológico, geralmente com estatinas, torna-se uma consideração importante. A decisão deve ser individualizada, ponderando os benefícios a longo prazo versus os potenciais riscos e efeitos adversos. Para o residente, é fundamental saber identificar os pacientes de alto risco, monitorar os níveis lipídicos e orientar as famílias sobre a importância da adesão ao tratamento. O acompanhamento multidisciplinar e a educação em saúde são pilares para o sucesso do manejo da dislipidemia na infância e adolescência, visando a redução da morbimortalidade cardiovascular na vida adulta.
O tratamento farmacológico em crianças com dislipidemia é geralmente considerado após falha das mudanças no estilo de vida, especialmente em casos de hipercolesterolemia familiar com LDL-C persistentemente elevado (>190 mg/dL ou >160 mg/dL com outros fatores de risco/história familiar).
As estatinas são geralmente aprovadas para uso em crianças a partir dos 8 a 10 anos de idade, dependendo da droga específica e da indicação, sempre sob supervisão médica rigorosa e monitoramento de efeitos adversos.
As recomendações incluem dieta saudável (rica em frutas, vegetais, grãos integrais, pobre em gorduras saturadas e trans), aumento da atividade física regular (pelo menos 60 minutos/dia) e manutenção de peso saudável.
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