HSJ - Hospital São Julião (MS) — Prova 2015
O paciente T.A.B., do sexo masculino, com idade de 55 anos, é uma pessoa vivendo com HIV/Aids (PVHA) sabidamente há 10 anos. Atualmente está em tratamento regular com antirretrovirais (inibidor da integrase em associação a inibidor de protease). Faz uso de captopril para tratamento de hipertensão arterial sistêmica diagnosticada há 05 anos. É tabagista há 20 anos de 3 cigarros/dia. Seus últimos exames evidenciam contagem de linfócitos T CD4 de 501 céls/mm³ e carga viral (RNA-PCR) menor que o limite mínimo detectável do aparelho utilizado na contagem. Sua pressão arterial aferida na consulta é 140 x 90 mmHg (sentado, braço direito). Os exames laboratoriais mostravam: colesterol LDL = 165 mg/dl; colesterol HDL = 40 mg/dl; triglicerídeos = 500 mg/dl. Sobre este paciente, assinale a alternativa que contém a afirmativa CORRETA:
PVHA em TARV + dislipidemia → evitar sinvastatina/lovastatina devido a interações com inibidores de protease e risco de rabdomiólise.
Pacientes com HIV em terapia antirretroviral, especialmente com inibidores de protease, têm maior risco de dislipidemia e interações medicamentosas. Estatinas como sinvastatina e lovastatina são contraindicadas devido à inibição do CYP3A4 pelos inibidores de protease, aumentando o risco de miopatia e rabdomiólise.
A dislipidemia é uma comorbidade comum e importante em pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA), contribuindo para o aumento do risco cardiovascular. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo tanto a inflamação crônica associada ao HIV quanto os efeitos metabólicos de algumas classes de antirretrovirais, como os inibidores de protease, que podem induzir hipertrigliceridemia e hipercolesterolemia. O manejo da dislipidemia em PVHA exige atenção especial às interações medicamentosas. Inibidores de protease são potentes inibidores do citocromo P450 3A4 (CYP3A4), uma enzima crucial no metabolismo de diversas estatinas. A coadministração de inibidores de protease com estatinas metabolizadas por essa via, como sinvastatina e lovastatina, pode levar a um aumento significativo das concentrações séricas das estatinas, elevando o risco de miopatia e rabdomiólise. Para residentes, é fundamental saber que estatinas como rosuvastatina e atorvastatina são geralmente consideradas mais seguras em PVHA em uso de inibidores de protease, embora ainda exijam monitoramento. O tratamento deve sempre incluir modificações no estilo de vida, como dieta saudável, exercícios físicos e cessação do tabagismo, que são pilares na redução do risco cardiovascular.
Sinvastatina e lovastatina são contraindicadas devido à sua metabolização via CYP3A4, que é inibida pelos inibidores de protease, elevando seus níveis séricos e o risco de rabdomiólise.
Inibidores de protease são potentes inibidores da enzima CYP3A4, responsável pelo metabolismo de diversas estatinas. A coadministração aumenta a concentração plasmática das estatinas, elevando o risco de efeitos adversos.
Além de mudanças no estilo de vida, fibratos (como fenofibrato ou genfibrozila) podem ser utilizados para hipertrigliceridemia grave. A escolha da estatina deve priorizar aquelas com menor interação, como rosuvastatina ou atorvastatina (com cautela).
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