Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Dois pacientes, ambos do sexo masculino e com 11 anos de idade, realizam seguimento médico devido à dislipidemia há 1 ano, período no qual realizaram melhorias na dieta e atividade física. Ambos apresentam sobrepeso sem síndrome metabólica e, após o tratamento, não apresentaram melhora nos valores de LDL-colesterol. O paciente A apresenta LDL-colesterol de 182 mg/dl, triglicérides de 195 mg/dl e nega antecedentes familiares de incidentes cardiovasculares. O paciente B apresenta LDL-colesterol de 168 mg/dl, triglicérides de 210 mg/dl e possui evento cardiovascular precoce na família. Sobre a terapia, é CORRETO afirmar que:
Criança >10 anos com LDL-C >160 mg/dL E história familiar de DCV precoce OU LDL-C >190 mg/dL → iniciar estatina.
A indicação de estatina em crianças é criteriosa e considera não apenas os níveis de LDL-colesterol, mas também a presença de fatores de risco adicionais, como história familiar de doença cardiovascular precoce. O paciente B, com LDL-C elevado e antecedente familiar, preenche critérios para terapia medicamentosa.
A dislipidemia em crianças e adolescentes é uma condição cada vez mais prevalente, associada ao aumento do risco de doença cardiovascular aterosclerótica na vida adulta. O manejo inicial sempre envolve modificações no estilo de vida, como dieta saudável e aumento da atividade física, por um período de 6 a 12 meses. A persistência de níveis elevados de LDL-colesterol após essas intervenções pode indicar a necessidade de terapia farmacológica. A fisiopatologia da dislipidemia infantil pode ser primária (genética, como hipercolesterolemia familiar) ou secundária (associada a obesidade, diabetes, hipotireoidismo). O diagnóstico é feito por exames de perfil lipídico. A suspeita deve surgir em crianças com sobrepeso/obesidade, histórico familiar de dislipidemia ou doença cardiovascular precoce. A indicação de estatinas em crianças é um tema sensível e deve seguir critérios rigorosos. Geralmente, é considerada para crianças acima de 10 anos com LDL-colesterol persistentemente elevado (ex: >190 mg/dL) ou >160 mg/dL na presença de fatores de risco adicionais, como história familiar de doença cardiovascular precoce ou outras comorbidades. O paciente B se encaixa nesse perfil, justificando a intervenção medicamentosa.
Em crianças e adolescentes, um LDL-colesterol ≥ 130 mg/dL é considerado elevado, e ≥ 160 mg/dL é muito elevado, especialmente na presença de fatores de risco ou história familiar de doença cardiovascular precoce.
Além dos níveis de LDL-colesterol, fatores como história familiar de doença cardiovascular precoce (infarto ou AVC em parentes de primeiro grau <55 anos em homens ou <65 anos em mulheres), obesidade, hipertensão e diabetes são importantes.
O tratamento não medicamentoso, com dieta saudável e aumento da atividade física, é a primeira linha de abordagem e deve ser mantido por pelo menos 6 meses antes de considerar a terapia farmacológica, sendo crucial para a saúde geral da criança.
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