UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 55 anos, branco, vem ao consultório para avaliação de rotina. Diz que, há 3 meses, fez exames que revelaram colesterol elevado. Desde então, vem realizando exercícios físicos de forma regular 6 vezes na semana e está seguindo as orientações dietéticas. O paciente nega histórico familiar de doença cardiovascular, tabagismo ou outras comorbidades. Ao exame físico, PA 134 x 82 mmHg, restante sem alterações. Repetido perfil lipídico que mostrou: CT 229 mg/dL, HDL 39 mg/dL , TG 250 mg/dL. Glicemia de jejum 96 mg/dL, Hb glicada de 5,6%, Creatinina 0,7 mg/dL, AST, ALT, TSH e T4L normais. De acordo com a Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017, a conduta recomendada é
Paciente com dislipidemia e risco cardiovascular moderado → iniciar estatina (Sinvastatina 20 mg).
A diretriz brasileira de dislipidemias preconiza a avaliação do risco cardiovascular global para definir a conduta. Embora o paciente já pratique medidas não farmacológicas, seus níveis lipídicos (CT 229, HDL 39, TG 250) e sua idade (55 anos) o colocam em um patamar de risco que justifica o início de estatina para prevenção primária, mesmo sem comorbidades evidentes. A Sinvastatina 20 mg é uma dose inicial comum.
A dislipidemia é um fator de risco modificável crucial para a doença cardiovascular aterosclerótica, que continua sendo a principal causa de morbimortalidade global. A avaliação e o manejo adequados da dislipidemia são fundamentais na prática clínica, especialmente na prevenção primária. As diretrizes brasileiras de dislipidemias fornecem um roteiro para a estratificação de risco e a tomada de decisão terapêutica, considerando não apenas os níveis de colesterol, mas o risco cardiovascular global do indivíduo. A fisiopatologia da aterosclerose está intrinsecamente ligada à dislipidemia, onde o acúmulo de lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C) oxidadas na parede arterial desencadeia uma resposta inflamatória e a formação de placas. A suspeita de dislipidemia surge com exames de rotina que revelam alterações no perfil lipídico. É crucial investigar fatores de risco adicionais e comorbidades que possam elevar o risco cardiovascular. O tratamento da dislipidemia envolve inicialmente mudanças no estilo de vida (dieta saudável, exercícios físicos, cessação do tabagismo). No entanto, para muitos pacientes, a terapia farmacológica com estatinas é necessária para atingir as metas de LDL-C e reduzir o risco de eventos. As estatinas atuam inibindo a HMG-CoA redutase, enzima chave na síntese de colesterol. O prognóstico é significativamente melhorado com o controle adequado dos fatores de risco e a adesão ao tratamento. Pontos de atenção incluem a individualização das metas de LDL-C e o monitoramento de efeitos adversos.
O risco cardiovascular é avaliado por escores como o de Framingham ou o Escore de Risco Global (ERG) da diretriz brasileira, que consideram idade, sexo, tabagismo, pressão arterial, colesterol total, HDL-C e presença de diabetes. Esses escores classificam o paciente em baixo, intermediário, alto ou muito alto risco.
O objetivo principal do tratamento com estatinas na prevenção primária é reduzir o risco de eventos cardiovasculares ateroscleróticos (infarto, AVC) em pacientes com dislipidemia, através da redução dos níveis de LDL-C e de efeitos pleiotrópicos, como a estabilização da placa aterosclerótica.
Os principais efeitos adversos das estatinas incluem mialgia, miopatia e elevação das enzimas hepáticas (transaminases). O monitoramento envolve a avaliação de sintomas musculares e a dosagem periódica de transaminases (AST/ALT) e creatinoquinase (CK) antes do início e durante o tratamento, conforme a necessidade clínica.
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