TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Sobre dislipidemia, é correto afirmar que:
Não se recomenda tratar farmacologicamente para elevar HDL; o foco é a redução do LDL-c.
Evidências atuais mostram que aumentar o HDL-c artificialmente com drogas não reduz eventos cardiovasculares; o alvo terapêutico primário é o LDL-c.
O manejo das dislipidemias é um pilar fundamental na prevenção de doenças cardiovasculares ateroscleróticas. A estratificação de risco cardiovascular é o primeiro passo para definir a agressividade do tratamento. Pacientes de risco intermediário, por exemplo, devem buscar um LDL < 100 mg/dL, frequentemente necessitando de estatinas de moderada ou alta intensidade, e não apenas de baixa intensidade como sugerem alguns erros comuns. A mudança de paradigma mais importante nos últimos anos foi o abandono de metas específicas para o HDL-c. O foco terapêutico consolidou-se no 'quanto menor, melhor' para o LDL-c. Além disso, o uso de terapias combinadas (Estatina + Ezetimiba ou Inibidores da PCSK9) tornou-se padrão para pacientes que permanecem fora da meta, reforçando que a redução absoluta do colesterol aterogênico é o que de fato previne eventos maiores.
De acordo com a Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias (2017), as metas de LDL-c são: Risco Baixo < 130 mg/dL; Risco Intermediário < 100 mg/dL; Risco Alto < 70 mg/dL; e Risco Muito Alto < 50 mg/dL. O tratamento deve ser intensificado com estatinas de alta potência ou associação com ezetimiba para atingir esses alvos, especialmente em pacientes de prevenção secundária.
Embora níveis baixos de HDL-c estejam epidemiologicamente associados a maior risco cardiovascular, grandes estudos clínicos (como os com niacina e inibidores da CETP) falharam em demonstrar redução de desfechos clínicos (infarto, AVC ou morte) ao elevar o HDL farmacologicamente. Portanto, as diretrizes atuais recomendam focar na redução do LDL-c e do não-HDL, utilizando mudanças no estilo de vida (exercício, cessação do tabagismo) para melhorar o perfil do HDL.
A ezetimiba atua inibindo a absorção intestinal de colesterol. Ela é indicada principalmente em associação com estatinas quando o paciente não atinge a meta de LDL-c com a dose máxima tolerada de estatina, ou em casos de intolerância às estatinas. O estudo IMPROVE-IT demonstrou benefício adicional na redução de eventos cardiovasculares quando a ezetimiba foi adicionada à sinvastatina em pacientes pós-síndrome coronariana aguda.
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