Disgenesia Gonadal Pura: Diagnóstico na Amenorreia Primária

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menina de 17 anos que ainda não apresentou menarca procurou o ambulatório que a considerou como portadora de amenorréia primária. Fez cariótipo que revelou 46XX, Tem 1,60 m de altura, mamas estádio de Turner 1, vulva de aspecto infantil, e identificou-se vagina e útero. Ao exame ultrassonográfico não se observou os ovários. Frente a esse quadro, a hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) Sindrome de Down.
  2. B) Síndrole de Turner.
  3. C) Síndrome de Morris.
  4. D) disgenesia gonadal pura.
  5. E) Síndrome de Rokitansky.

Pérola Clínica

Amenorreia primária 46XX com útero/vagina presentes, mamas Tanner 1 e ausência de ovários → Disgenesia Gonadal Pura.

Resumo-Chave

A disgenesia gonadal pura (DGP) é caracterizada por amenorreia primária, cariótipo 46XX, presença de útero e vagina, mas ausência de desenvolvimento mamário (mamas Tanner 1) e ovários não funcionantes (gonadas em fita). A altura geralmente é normal, diferenciando-a da Síndrome de Turner.

Contexto Educacional

A amenorreia primária é definida pela ausência de menarca aos 16 anos com caracteres sexuais secundários presentes, ou aos 14 anos sem caracteres sexuais secundários. A investigação é complexa e envolve a exclusão de anomalias anatômicas, disfunções hormonais e alterações genéticas. A disgenesia gonadal pura 46XX é uma causa importante, caracterizada pela falha no desenvolvimento ovariano, resultando em hipogonadismo hipergonadotrófico. A fisiopatologia da disgenesia gonadal pura 46XX envolve mutações em genes que regulam o desenvolvimento ovariano, como o gene FOXL2. Clinicamente, as pacientes apresentam amenorreia primária, ausência de desenvolvimento puberal (mamas Tanner 1), genitália externa infantil, mas com útero e vagina presentes devido à ausência de fator inibidor mülleriano. A altura é geralmente normal, o que a diferencia da Síndrome de Turner. O diagnóstico é confirmado por cariótipo 46XX, níveis elevados de FSH e LH, e ultrassonografia que revela ovários em fita ou ausentes. O tratamento da disgenesia gonadal pura consiste na reposição hormonal estrogênica e progestagênica para induzir o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, prevenir a osteoporose e melhorar a qualidade de vida. O aconselhamento genético é fundamental, e a infertilidade é uma consequência, podendo ser considerada a gestação por meio de ovodoação. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para abordar as questões físicas e psicossociais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para disgenesia gonadal pura 46XX?

Os critérios incluem amenorreia primária, cariótipo 46XX, presença de útero e vagina, ausência de desenvolvimento mamário e ovários não funcionantes (gonadas em fita), com altura geralmente normal.

Como diferenciar disgenesia gonadal pura de Síndrome de Turner?

A disgenesia gonadal pura (DGP) tem cariótipo 46XX e altura normal, enquanto a Síndrome de Turner apresenta cariótipo 45X0 e baixa estatura, além de outras dismorfias.

Qual a conduta inicial para uma paciente com suspeita de disgenesia gonadal pura?

A conduta inicial envolve a confirmação diagnóstica com cariótipo e exames de imagem (ultrassonografia pélvica), seguida de reposição hormonal para indução de caracteres sexuais secundários e prevenção de osteoporose.

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