Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022
Mulher de 47 anos de idade está em acompanhamento ambulatorial por depressão maior unipolar. Sem outras comorbidades. Iniciou uso de Sertralina 25 mg por dia há 8 semanas com melhora de > 50% dos sintomas referidos de anedonia, baixa energia, tristeza e sonolência excessiva. Queixa-se, porém, de queda importante da libido e dificuldade excessiva em atingir orgasmo. Ao exame clínico apresenta Pressão Arterial 132x88 mmHg, frequência cardíaca 72 bpm, IMC = 33 kg/m² . Qual a melhor alternativa terapêutica?
Disfunção sexual por ISRS (Sertralina) com depressão controlada → associar Bupropiona para libido/orgasmo.
A disfunção sexual é um efeito colateral comum dos Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) como a sertralina. Quando a depressão está controlada, a adição de bupropiona, um inibidor da recaptação de dopamina e noradrenalina, pode reverter a disfunção sexual sem comprometer o efeito antidepressivo.
A depressão maior é uma condição psiquiátrica comum, e os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) são frequentemente a primeira linha de tratamento devido à sua eficácia e perfil de segurança. No entanto, a disfunção sexual, incluindo diminuição da libido e anorgasmia, é um efeito colateral muito comum e limitante dos ISRS, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes e a adesão ao tratamento. Quando um paciente apresenta melhora significativa dos sintomas depressivos com um ISRS, mas desenvolve disfunção sexual, a estratégia mais adequada é tentar mitigar esse efeito adverso sem comprometer o benefício antidepressivo. A adição de bupropiona é uma excelente opção. A bupropiona atua como inibidor da recaptação de dopamina e noradrenalina, neurotransmissores que desempenham um papel crucial na função sexual. Ao aumentar a dopamina e a noradrenalina, a bupropiona pode contrabalancear os efeitos serotoninérgicos excessivos dos ISRS na via sexual, melhorando a libido e a capacidade de orgasmo. Outras alternativas, como a troca para mirtazapina, podem ser consideradas, mas a associação permite manter o benefício do ISRS que já se mostrou eficaz para a depressão. Reduzir a dose do ISRS pode comprometer a eficácia antidepressiva, e outros ISRS (como citalopram) teriam um perfil de efeitos colaterais sexuais semelhante.
Os ISRS aumentam os níveis de serotonina, o que pode inibir a dopamina e a noradrenalina, neurotransmissores importantes para a libido e o orgasmo, resultando em diminuição do desejo e anorgasmia.
A bupropiona é um inibidor da recaptação de dopamina e noradrenalina. Ao aumentar a disponibilidade desses neurotransmissores, ela pode neutralizar os efeitos inibitórios da serotonina na função sexual, melhorando a libido e a capacidade de orgasmo.
Outras estratégias incluem redução da dose do ISRS (se possível), troca para um antidepressivo com menor impacto sexual (ex: mirtazapina, vortioxetina), 'drug holiday' (pausa no medicamento) ou adição de inibidores da PDE5 para homens.
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