SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Marcia, 42 anos, chega à consulta referindo estar se sentindo muito desanimada, cansada e com dificuldade para dormir. Diz que tem se incomodado muito com a sua falta de libido. Está casada há 10 anos e nega conflitos no relacionamento. Está em uso de fluoxetina 40 mg há cerca de 9 meses. Sobre o caso de Marcia, pode-se afirmar que:
Disfunção sexual por ISRS é comum; benzodiazepínicos tratam insônia, mas com cautela e outros efeitos.
A disfunção sexual é um efeito adverso frequente dos ISRS, como a fluoxetina, e pode impactar significativamente a qualidade de vida. Embora benzodiazepínicos possam tratar a insônia, sua prescrição deve ser cautelosa devido ao risco de dependência e outros efeitos adversos, e eles não são isentos de impacto na função sexual.
A disfunção sexual é um efeito adverso comum e subestimado dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como a fluoxetina, afetando uma parcela significativa dos pacientes e impactando a adesão ao tratamento. É crucial que o médico esteja atento a essa queixa, que muitas vezes não é espontaneamente relatada pelo paciente, e a aborde de forma proativa. A prevalência de disfunção sexual induzida por ISRS pode variar de 30% a 70%, dependendo do ISRS e da metodologia do estudo. A fisiopatologia envolve o aumento da serotonina em receptores específicos, que pode inibir a dopamina e a noradrenalina, neurotransmissores importantes para a função sexual. Ao suspeitar de disfunção sexual induzida por ISRS, é fundamental diferenciar de outras causas (doenças clínicas, psicopatologias, problemas de relacionamento). A avaliação deve incluir uma história detalhada sobre a natureza da disfunção, seu início e impacto. O manejo pode envolver diversas estratégias, como a redução da dose do ISRS (se clinicamente apropriado), a troca para um antidepressivo com menor perfil de efeitos adversos sexuais (ex: bupropiona, mirtazapina, vortioxetina), a adição de um fármaco que possa mitigar o efeito (ex: bupropiona, sildenafil) ou a implementação de 'drug holidays' (pausas programadas no uso do ISRS, que devem ser cuidadosamente monitoradas). A prescrição de benzodiazepínicos para insônia deve ser feita com cautela, considerando seus riscos de dependência e outros efeitos adversos, e não são a primeira linha para disfunção sexual.
Os ISRS podem causar diminuição da libido, anorgasmia, retardo ejaculatório e disfunção erétil. Estes efeitos são dose-dependentes e podem persistir mesmo após a descontinuação do tratamento.
As estratégias incluem redução da dose, troca para antidepressivos com menor impacto sexual (ex: bupropiona), adição de outro fármaco (ex: bupropiona, sildenafil) ou 'drug holidays' (pausas no uso, com cautela e sob supervisão médica).
Embora não sejam primariamente conhecidos por reduzir a libido como os ISRS, benzodiazepínicos podem causar sedação, o que indiretamente afeta o desejo e a performance sexual, além de apresentarem risco de dependência e outros efeitos adversos.
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