SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020
Eduarda, 47 anos, casada há 25 anos com Marcos, procura sua médica desejando um medicamento para aumentar a libido, pois sente que isso tem prejudicado seu casamento. Há cerca de 6 meses, ela vem sentindo cada vez menos desejo sexual e, mesmo quando mantém relações, dificilmente fica lubrificada ou sente prazer. Nega insônia e alterações de humor, mas tem percebido calorões que levam a despertares no período noturno. Mesmo depois do uso de estriol vaginal, recomendado por sua ginecologista há cerca de 1 mês, não percebeu melhora nem do desejo, nem da lubrificação. Ao exame físico, não se percebe nenhuma alteração ou sinal de atrofia vaginal. Sobre a conduta inicial sobre os cuidados e as orientações para Eduarda, é correto afirmar que:
Baixa libido feminina → investigar fatores relacionais, psicossociais e hormonais. Abordagem multifatorial é chave.
A disfunção sexual feminina, incluindo a baixa libido, é multifatorial e frequentemente envolve aspectos psicossociais, relacionais e hormonais. Antes de qualquer intervenção farmacológica, é essencial uma abordagem abrangente que inclua a avaliação da dinâmica do relacionamento do casal, comunicação e expectativas, mesmo na ausência de alterações de humor evidentes.
A disfunção sexual feminina (DSF), especialmente o transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH), é uma queixa comum na prática clínica, afetando significativamente a qualidade de vida e os relacionamentos. É uma condição complexa e multifatorial, influenciada por aspectos biológicos (hormonais, doenças crônicas, medicamentos), psicológicos (depressão, ansiedade, estresse), sociais e relacionais. Em mulheres na perimenopausa e pós-menopausa, as flutuações e quedas hormonais, como a de estrogênio e testosterona, frequentemente contribuem para a diminuição da libido, ressecamento vaginal e dispareunia. A abordagem inicial da DSF deve ser abrangente e individualizada. É fundamental realizar uma anamnese detalhada, investigando não apenas os sintomas físicos, mas também o histórico sexual, a satisfação com o relacionamento, o nível de estresse, a presença de transtornos de humor e o uso de medicamentos. Mesmo na ausência de queixas explícitas de alterações de humor, a dinâmica do relacionamento do casal, a comunicação e as expectativas mútuas desempenham um papel crucial na sexualidade e devem ser exploradas. A terapia com estriol vaginal, embora eficaz para a atrofia vaginal e lubrificação, pode não resolver a questão do desejo sexual se outros fatores estiverem envolvidos. Antes de considerar intervenções farmacológicas como a terapia de reposição hormonal sistêmica ou o uso de testosterona (que ainda tem indicações restritas e potenciais efeitos adversos em mulheres), é essencial esgotar as abordagens não farmacológicas. Isso inclui aconselhamento sexual, terapia de casal, manejo do estresse, otimização do estilo de vida e tratamento de comorbidades. A testosterona pode ser uma opção para TDSH refratário em mulheres pós-menopausa, mas deve ser prescrita com cautela e monitoramento. A conduta mais apropriada é sempre iniciar com uma avaliação holística e intervenções que abordem todas as dimensões da sexualidade feminina.
A baixa libido em mulheres na meia-idade é multifatorial, incluindo alterações hormonais da menopausa (queda de estrogênio e testosterona), fatores psicossociais (estresse, fadiga, imagem corporal), problemas de relacionamento, uso de medicamentos (antidepressivos) e condições médicas crônicas. A presença de calorões noturnos sugere um componente menopausal.
A sexualidade é intrinsecamente ligada à dinâmica do relacionamento. Problemas de comunicação, conflitos não resolvidos, expectativas não atendidas, rotina ou falta de intimidade emocional podem impactar significativamente o desejo sexual. Abordar esses aspectos pode ser mais eficaz do que qualquer tratamento farmacológico isolado.
A terapia de reposição hormonal (TRH) ou testosterona pode ser considerada após a exclusão e/ou manejo de outros fatores contribuintes e quando os sintomas persistem. A testosterona em gel para mulheres é uma opção para o transtorno do desejo sexual hipoativo, mas deve ser usada com cautela e sob supervisão médica, avaliando riscos e benefícios, e não como primeira linha sem uma avaliação completa.
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