Disfunção Renal Obstrutiva: Manejo e Indicação de Hemodiálise

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 52 anos de idade, hipertenso e diabético, vai ao consultório do cirurgião com queixa de emagrecimento e sangramento vivo pelo ânus há seis meses. Nega alterações de diurese ou hábito intestinal. Ao exame físico, o abdome estava pouco distendido, sem massas palpáveis. Realizou-se toque retal, observando-se esfíncter normotônico, sem lesões palpáveis, sem hemorroidas, com sangue vivo em dedo de luva. O paciente apresenta exames laboratoriais realizados na UBS que identificam Hb = 9,3, leucócitos = 11.000, plaquetas = 340.000, Na = 138, K = 4,2, U = 77 e Cr = 1,94. Quanto ao caso clínico apresentado e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Se a disfunção renal for de causa pós-renal por infiltração tumoral, deve-se indicar hemodiálise imediatamente, pois a presença de neoplasia contraindica a realização de procedimentos de desobstrução da via urinária, como a passagem de cateter duplo J.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Disfunção renal pós-renal por obstrução tumoral → priorizar desobstrução (cateter duplo J); hemodiálise é para falha ou complicações refratárias. Neoplasia NÃO contraindica desobstrução.

Resumo-Chave

Em casos de disfunção renal pós-renal causada por obstrução tumoral, a conduta prioritária é a desobstrução da via urinária (ex: cateter duplo J ou nefrostomia), visando preservar a função renal. A hemodiálise é indicada apenas se a desobstrução falhar ou para tratar complicações agudas da insuficiência renal que não podem aguardar a desobstrução.

Contexto Educacional

A disfunção renal pós-renal é uma forma de lesão renal aguda causada pela obstrução do fluxo urinário em qualquer ponto do trato urinário, desde os túbulos renais até a uretra. Sua importância clínica reside na sua reversibilidade potencial se a obstrução for prontamente aliviada. A epidemiologia varia, mas causas comuns incluem hiperplasia prostática benigna, cálculos renais e, como no caso, neoplasias que infiltram ou comprimem as vias urinárias. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão retrógrada nos túbulos e glomérulos, levando à diminuição da filtração glomerular. O diagnóstico é suspeitado por elevação de ureia e creatinina, e confirmado por exames de imagem que mostram hidronefrose ou dilatação das vias urinárias. É crucial suspeitar de obstrução em pacientes com lesão renal aguda de causa inexplicada, especialmente na presença de fatores de risco para neoplasias. O tratamento primário para a disfunção renal pós-renal é a remoção da obstrução. Isso pode ser feito por meio de cateter duplo J, nefrostomia percutânea ou cirurgia, dependendo da localização e natureza da obstrução. A hemodiálise não é a primeira linha de tratamento para a obstrução em si, mas sim para as complicações da insuficiência renal que não podem ser controladas por outras medidas ou que persistem após a desobstrução. A presença de neoplasia não contraindica a desobstrução; na verdade, é um passo essencial para otimizar o estado do paciente para o tratamento oncológico.

Perguntas Frequentes

Qual a abordagem inicial para disfunção renal pós-renal por obstrução?

A abordagem inicial é a desobstrução da via urinária, que pode ser realizada por meio de cateter duplo J ou nefrostomia percutânea, visando restaurar o fluxo urinário e preservar a função renal.

Quando a hemodiálise é indicada em casos de insuficiência renal obstrutiva?

A hemodiálise é indicada para tratar complicações graves da insuficiência renal (hipercalemia refratária, acidose metabólica grave, sobrecarga volêmica) que não podem ser controladas clinicamente ou que persistem após a desobstrução da via urinária.

A presença de neoplasia contraindica procedimentos de desobstrução urinária?

Não, a presença de neoplasia não contraindica a desobstrução. Pelo contrário, a desobstrução é frequentemente necessária para preservar a função renal e permitir que o paciente tolere tratamentos oncológicos subsequentes.

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