UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021
Em relação à disfunção miocárdica na sepse grave, é incorreto afirmar que:
Disfunção miocárdica na sepse: ↓ FE, mas débito cardíaco pode ser normal/alto devido à vasodilatação e SvO2 alta por má extração de O2, não por fluxo lento.
A disfunção miocárdica na sepse é complexa, caracterizada por queda da fração de ejeção, mas o débito cardíaco pode ser mantido ou até elevado devido à intensa vasodilatação periférica. A SvO2 alta reflete a incapacidade dos tecidos de extrair oxigênio adequadamente.
A disfunção miocárdica é uma complicação comum e grave da sepse, contribuindo significativamente para a morbimortalidade. Diferente de outras formas de choque cardiogênico, a cardiomiopatia séptica é caracterizada por uma depressão da contratilidade miocárdica (queda da fração de ejeção), mas muitas vezes com um débito cardíaco normal ou até elevado. Isso ocorre devido à intensa vasodilatação sistêmica e à redução da pós-carga, que permitem que o coração ejetar sangue mais facilmente, apesar de sua função intrínseca comprometida. A fisiopatologia envolve uma complexa interação de mediadores inflamatórios, toxinas microbianas, disfunção mitocondrial e alterações na sensibilidade aos catecolaminas. Clinicamente, a disfunção miocárdica na sepse pode se manifestar com sinais de hipoperfusão, apesar de um débito cardíaco aparentemente adequado. A monitorização hemodinâmica avançada é crucial para identificar essa condição. O tratamento da disfunção miocárdica na sepse envolve a otimização da volemia, o uso de vasopressores como a noradrenalina para manter a pressão de perfusão, e, se houver sinais de hipoperfusão persistente com débito cardíaco inadequado, a adição de inotrópicos como a dobutamina. É importante ressaltar que a saturação venosa central (SvO2) pode estar alta na sepse devido à disfunção na extração de oxigênio pelos tecidos, e não por um fluxo sanguíneo lento, o que é um ponto crucial para a interpretação hemodinâmica.
A disfunção miocárdica na sepse é caracterizada por uma redução da fração de ejeção ventricular, mas o débito cardíaco pode ser mantido ou até aumentado devido à diminuição da pós-carga por vasodilatação sistêmica.
A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha para manter a pressão arterial. A dobutamina pode ser adicionada para melhorar a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco em pacientes com sinais de hipoperfusão persistente apesar da otimização volêmica e vasopressores.
Uma SvO2 alta na sepse pode indicar uma má extração de oxigênio pelos tecidos, seja por disfunção mitocondrial, shunt microvascular ou fluxo sanguíneo excessivo para as necessidades metabólicas, e não necessariamente por fluxo sanguíneo lento.
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