UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021
Paciente do sexo masculino, 89 anos de idade, proveniente do interior do Piauí de área endêmica de Doença de Chagas foi admitido no pronto atendimento com quadro de síncope recorrente. É portador de cardiopatia chagásica e marca-passo cardíaco definitivo há 10 anos. Diante do traçado eletrocardiográfico obtido na admissão, qual o diagnóstico e a melhor conduta?
Síncope em paciente com marca-passo e cardiopatia chagásica → investigar disfunção do dispositivo.
Em pacientes idosos com marca-passo de longa data e cardiopatia estrutural (como a chagásica), a síncope recorrente deve levantar forte suspeita de disfunção do marca-passo, seja por falha da bateria, fratura de eletrodo ou alteração do limiar de captura. A avaliação do dispositivo é prioritária.
A disfunção de marca-passo cardíaco é uma complicação importante em pacientes que dependem desses dispositivos, especialmente em idosos com comorbidades como a cardiopatia chagásica. A síncope recorrente é um sintoma alarmante que exige investigação imediata, pois pode indicar falha na estimulação cardíaca adequada. A doença de Chagas, endêmica em algumas regiões do Brasil, é uma causa comum de cardiomiopatia dilatada e distúrbios de condução, frequentemente necessitando de marca-passo definitivo. A longevidade do dispositivo e a integridade dos eletrodos são fatores críticos a serem monitorados ao longo do tempo. O diagnóstico da disfunção do marca-passo baseia-se na avaliação clínica, eletrocardiograma e, fundamentalmente, na interrogação do dispositivo. Problemas como falha de captura (o marca-passo dispara, mas não há resposta miocárdica), falha de sensibilidade (o marca-passo não detecta a atividade cardíaca intrínseca) ou esgotamento da bateria são causas comuns. A conduta depende da causa subjacente, podendo variar desde a reprogramação do dispositivo até a necessidade de procedimentos cirúrgicos para troca de gerador ou eletrodos, como no caso de fratura de cabo-eletrodo. A rápida identificação e intervenção são cruciais para prevenir eventos adversos graves e melhorar a qualidade de vida do paciente. Para residentes, é vital compreender a fisiopatologia da cardiopatia chagásica, os princípios de funcionamento dos marca-passos e as manifestações clínicas de sua disfunção. A capacidade de interpretar um ECG com marca-passo e de suspeitar de falha do dispositivo diante de sintomas como síncope é uma habilidade essencial. O manejo envolve uma abordagem multidisciplinar, com cardiologistas, eletrofisiologistas e cirurgiões cardíacos, garantindo a segurança e a eficácia do tratamento a longo prazo.
Os sinais de disfunção podem incluir síncope, pré-síncope, palpitações, fadiga, dispneia e tontura. No eletrocardiograma, pode-se observar falha de captura, falha de sensibilidade ou estimulação inadequada.
A conduta inicial envolve a avaliação clínica completa, eletrocardiograma de 12 derivações e, crucialmente, a interrogação do marca-passo para verificar sua função, bateria e integridade dos eletrodos. A estabilização hemodinâmica é prioritária.
A cardiopatia chagásica pode levar a arritmias complexas e bloqueios atrioventriculares, exigindo o implante de marca-passo. No entanto, a doença pode progredir, afetando o miocárdio e o sistema de condução, o que pode influenciar a performance do marca-passo ou a necessidade de reajustes e trocas de componentes ao longo do tempo.
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