USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Numa consulta de paciente na unidade de atenção primária do sexo masculino, 47 anos, casado, heteroafetivo, parceira única. O paciente questiona sobre o seu desempenho nas relações sexuais. O mesmo refere que sua ereção não é a mesma de antes e que isso tem ocorrido com mais frequência nesse ano. Paciente nega queixas urinárias como dor, incontinência, jato fraco, hesitação ou sensação de esvaziamento incompleto. Nega alterações ejaculatórias como ejaculação precoce ou diminuição do volume ejaculado.Refere que mantém desejo sexual e que relacionamento está bom, mas parceira tem notado a diferença na ereção. Refere que continua mantendo episódios de ereção reflexa. Nega sintomas de ansiedade ou de depressão, mas que está preocupado em relação a seu desempenho. Não faz uso de nenhuma medicação, não tem hábitos de tabagismo, etilismo ou de substâncias psicoativas. Refere sedentarismo. Ao Exame físico: IMC de 42 Kg/m². Ausculta cardíaca sem alterações. Pressão Arterial: 128 x 74 mmHg. Sem sinais clínicos de obstrução arterial periférica. Genitais sem lesões, deformidades, testículos normotróficos. Exames: Glicemia: 95 mg/dl Valor de referência 70-100 mg/dl Colesterol total: 270 mg/dl Valor de referência 140-200 mg/dl HDL Colesterol: 58 mg/dl Valor de referência > 45 mg/dl Triglicérides: 290 mg/dl Valor de referência < 150 mg/dl Testosterona total: 429 ng/dl Valor de referência 250-900 ng/dl Além de recomendar atividade física de maneira regular, orientação sobre resposta sexual e controle do peso, qual seria a melhor terapêutica medicamentosa para o paciente?
Disfunção erétil + fatores de risco cardiovascular → PDE5i (Sildenafila) é 1ª linha, após avaliação.
O paciente apresenta disfunção erétil com fatores de risco cardiovasculares (obesidade, dislipidemia, sedentarismo). A sildenafila, um inibidor da fosfodiesterase-5 (PDE5i), é a primeira linha de tratamento medicamentoso para a disfunção erétil, agindo ao aumentar o fluxo sanguíneo peniano em resposta à estimulação sexual.
A disfunção erétil (DE) é uma condição comum que afeta a qualidade de vida de muitos homens, especialmente com o avanço da idade. É definida como a incapacidade persistente de obter e/ou manter uma ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo componentes vasculares, neurológicos, hormonais e psicogênicos. A DE é frequentemente um marcador precoce de doenças cardiovasculares, diabetes e outras condições sistêmicas, tornando sua investigação e manejo cruciais na atenção primária. No caso apresentado, o paciente possui múltiplos fatores de risco cardiovasculares, como obesidade e dislipidemia, além de sedentarismo, que contribuem para a disfunção endotelial e, consequentemente, para a DE. A abordagem inicial deve incluir a modificação do estilo de vida, como a recomendação de atividade física e controle do peso, e a avaliação de comorbidades. Em termos de tratamento medicamentoso, os inibidores da fosfodiesterase-5 (PDE5i), como a sildenafila, são a primeira linha de escolha para a maioria dos pacientes com DE. Eles atuam potencializando o efeito do óxido nítrico, relaxando a musculatura lisa do corpo cavernoso e aumentando o fluxo sanguíneo peniano em resposta à estimulação sexual. É fundamental descartar contraindicações, como o uso concomitante de nitratos, antes de prescrever esses medicamentos. Outras opções, como alprostadil, são reservadas para casos específicos ou falha dos PDE5i.
Os principais fatores de risco para disfunção erétil incluem doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, tabagismo, etilismo e uso de certas medicações. A disfunção erétil é frequentemente um sinal de alerta para outras condições de saúde subjacentes.
A sildenafila é um inibidor da fosfodiesterase-5 (PDE5). Ela atua inibindo a degradação do monofosfato de guanosina cíclico (cGMP) no corpo cavernoso do pênis. O cGMP é responsável pelo relaxamento da musculatura lisa e pelo aumento do fluxo sanguíneo peniano, resultando em ereção quando há estimulação sexual.
A disfunção erétil pode ser um indicador precoce de doença cardiovascular porque os vasos sanguíneos do pênis são menores e mais suscetíveis a danos ateroscleróticos do que os vasos coronarianos. Assim, a dificuldade de ereção pode preceder em anos o aparecimento de sintomas cardíacos, servindo como um "sinal de alerta" para a necessidade de investigação cardiovascular.
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