Disfunção Erétil: Abordagem Clínica e Riscos Cardiovasculares

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Homem de 62 anos, casado, procura a unidade básica de saúde (UBS) devido quadro de dificuldade para ter e manter a ereção há 10 meses. Última relação sexual aconteceu há 2 meses, porém não conseguiu penetrar na parceira e desde então está evitando trocas de intimidade. Consegue ejacular com a masturbação, referindo uma rigidez peniana nota 5/10. Refere libido diminuído e humor deprimido. Não pratica atividades físicas e está obeso. Ao exame, paciente está orientado no tempo e no espaço, pulso -68 bpm, PA – 150x 90 mmHg, IMC – 33, eupneico, acianótico. Sem alterações cardiorespitatórias detectáveis ao exame físico, abdome globoso e inocente. Antecedentes pessoais: Hipertenso, colocação de stent coronariano há 2 anos. Medicamentos em uso: losartana, hidroclorotiazida, AAS, rosuvastatina e isossorbida. Exames iniciais: Hemoglobina Glicosilada -10%, glicemia de jejum -129 mg/dl, colesterol total – 180 mg/dl, LDL – 130 mg/dl, triglicerídeos – 140mg/dl, creatinina -1,2mg/dl, testosterona total – 230 ng/dl. Sobre este caso responda os questionamentos abaixo:a) Considerando a terapia farmacológica, qual classe de medicamentos ou droga está mais indicada para iniciar o tratamento da disfunção erétil?b) A reposição hormonal de testosterona pode beneficiar o quadro do paciente globalmente, entretanto para iniciar esta terapêutica, quais cuidados essenciais precisam ser tomados antes?c) Dentre os medicamentos utilizados pelo paciente, qual está mais fortemente relacionado a sua queixa sexual?d) Cite 2 medidas não farmacológicas associadas a melhora da disfunção erétil neste caso.

Alternativas

Pérola Clínica

Uso de nitratos (Isossorbida) contraindica absolutamente o uso de inibidores da PDE5.

Resumo-Chave

A disfunção erétil é um marcador de doença cardiovascular. O tratamento envolve controle de comorbidades (DM, obesidade) e avaliação rigorosa de interações medicamentosas, especialmente nitratos.

Contexto Educacional

A disfunção erétil (DE) é frequentemente a primeira manifestação de doença aterosclerótica sistêmica, precedendo eventos coronarianos em anos. No paciente idoso e obeso, a fisiopatologia é multifatorial, envolvendo componentes vasculares, hormonais (hipogonadismo) e metabólicos. O manejo deve ser holístico. Embora os inibidores da PDE5 sejam a primeira linha farmacológica, a presença de uso de nitratos exige alternativas como alprostadil intracavernoso ou vácuo-terapia. Além disso, a otimização das medicações anti-hipertensivas (como a hidroclorotiazida, que pode agravar a DE) e o controle rigoroso do diabetes são pilares fundamentais para o sucesso terapêutico a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Qual a principal contraindicação aos inibidores da PDE5?

A contraindicação absoluta mais importante é o uso concomitante de nitratos (como isossorbida ou nitroglicerina). Os inibidores da PDE5 potencializam o efeito vasodilatador mediado pelo óxido nítrico, podendo causar quedas catastróficas na pressão arterial. Em pacientes cardiopatas, deve-se aguardar pelo menos 24 horas (sildenafila) ou 48 horas (tadalafila) após a última dose do inibidor para administrar nitratos em caso de emergência coronariana.

Quais cuidados antes de iniciar reposição de testosterona?

Antes de iniciar o TRT (Testosterone Replacement Therapy), é essencial realizar o rastreio de câncer de próstata (PSA e toque retal), avaliar o hematócrito (risco de policitemia) e excluir insuficiência cardíaca descompensada ou apneia do sono grave não tratada. A reposição só é indicada se houver sintomas clínicos de hipogonadismo associados a níveis laboratorialmente baixos de testosterona em pelo menos duas ocasiões.

Como o estilo de vida impacta a função erétil?

A disfunção erétil está intimamente ligada à saúde endotelial. Obesidade, sedentarismo e diabetes descontrolado (como o HbA1c de 10% do paciente) promovem inflamação sistêmica e disfunção vascular. A perda de peso, a prática de exercícios físicos aeróbicos e o controle glicêmico rigoroso podem, por si só, melhorar significativamente a função erétil e a resposta a tratamentos farmacológicos de primeira linha.

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