Disfunção de DVP em Crianças: Diagnóstico e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menino, 3 anos de idade, com antecedente de prematuridade extrema, hemorragia periventricular grau III e hidrocefalia com derivação ventrículo peritoneal (DVP) colocada no primeiro mês de vida, trocada pela última vez há 3 meses. Tem epilepsia bem controlada e faz uso regular de ácido valpróico e Iamotrigina. Ele foi trazido ao Pronto- Socorro devido a quadro de hipoatividade e sonolência há 4 dias, e vômitos hoje. No trajeto do hospital, iniciou crise epiléptica tônico-clônica generalizada, semelhante às anteriores, porém com duração mais prolongada. Na admissão, paciente ainda em crise epiléptica, apresentando os seguintes dados de avaliação inicial: FC 110 bpm, saturação de 94% em máscara não reinalante, afebril, PA: 136 x 80 mmHg, mucosas secas, preenchimento capilar periférico de 6 segundos, glicemia capilar de 55 mg/dL. Sem alterações na propedêutica cardíaca, pulmonar e abdominal. Sem outras alterações ao exame clínico. Peso: 12kg. Após estabilização inicial e controle da crise epiléptica, foram vistos os resultados dos exames coletados na admissão ao Pronto Socorro: Sódio: 130 mEq/L, Potássio: 4,5 mEq/L; Ureia: 30 mg/dL; Creatinina 0,4 mg/dLGasometria venosa: pH 7,30; Bicarbonato 18 mEq/LGlicemia 80 mg/dLUrina tipo 1: pH 6,0, densidade: 1.030, leucócitos: 1.000/mL, hemácias: 1.000/mL, nitrito negativo.Exame de imagem abaixo:Referência: doi: 10.1542/pir.2015-0134Ao exame clínico: Regular estado geral, sonolento e confuso, ao estímulo apresenta abertura ocular e localiza a fonte, PA: 130 x 70mmHg, FC 70 bpm, FR 26 ipm, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Restante do exame clínico inalterado. Frente aos dados apresentados, qual é o diagnóstico principal e a respectiva conduta?

Alternativas

Pérola Clínica

Criança com DVP + alteração neurológica aguda + sinais de HIC/sepse → suspeitar disfunção/infecção de DVP.

Resumo-Chave

O quadro clínico de hipoatividade, sonolência, vômitos e crise epiléptica em criança com DVP prévia, especialmente com sinais de desidratação e alterações eletrolíticas, é altamente sugestivo de disfunção da DVP (obstrução ou infecção). A hipertensão intracraniana e a sepse são as principais preocupações e exigem investigação imediata.

Contexto Educacional

A derivação ventrículo peritoneal (DVP) é o tratamento mais comum para hidrocefalia, mas está associada a uma taxa significativa de complicações, sendo a disfunção e a infecção as mais frequentes. Pacientes pediátricos com DVP prévia que apresentam alteração aguda do estado neurológico, como hipoatividade, sonolência, vômitos e crises epilépticas, devem ter a disfunção da DVP como principal hipótese diagnóstica. O quadro clínico pode ser insidioso ou agudo, e os sintomas refletem o aumento da pressão intracraniana (HIC) ou a presença de infecção. Sinais de HIC incluem cefaleia, vômitos em jato, papiledema e alteração do nível de consciência. A infecção da DVP pode manifestar-se com febre, irritabilidade, sinais de meningismo e, em casos de peritonite, dor abdominal. A presença de hiponatremia e acidose metabólica, como no caso, pode indicar uma resposta sistêmica à infecção ou desidratação. A conduta inicial envolve a estabilização do paciente, controle das crises epilépticas e investigação imediata da DVP. Exames de imagem (TC ou RM de crânio) são essenciais para avaliar o tamanho ventricular e a integridade do cateter. A punção do reservatório da DVP para análise do líquor (celularidade, bioquímica, cultura) é crucial para o diagnóstico de infecção. O tratamento pode variar desde o ajuste da válvula até a revisão cirúrgica ou remoção do sistema em caso de infecção grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de disfunção de DVP em crianças?

Os sinais e sintomas incluem cefaleia, vômitos, letargia, irritabilidade, alteração do nível de consciência, fontanela abaulada (em lactentes), papiledema, paralisia de nervos cranianos e, em alguns casos, crises epilépticas ou sinais de infecção.

Qual a investigação inicial para disfunção de DVP?

A investigação inicial inclui exame físico detalhado, exames laboratoriais (hemograma, eletrólitos, gasometria, culturas) e exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio para avaliar o tamanho ventricular e a integridade do sistema de DVP.

Quais são as principais causas de disfunção de DVP?

As principais causas são obstrução (por tecido cerebral, plexo coroide, coágulos, proteínas), infecção (especialmente por Staphylococcus epidermidis) e superdrenagem/hipodrenagem, que podem levar a complicações graves.

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