CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Qual das medicações abaixo atua na função das lipases e pode ser utilizada sistemicamente para o tratamento da disfunção das glândulas meibomianas?
Minociclina → ↓ Lipases bacterianas = ↓ Ácidos graxos irritantes na DGM.
As tetraciclinas, como a minociclina, tratam a DGM não apenas pelo efeito antibiótico, mas principalmente pela inibição de lipases que degradam os lipídios do meibum.
A Disfunção das Glândulas de Meibomius (DGM) é a principal causa de olho seco evaporativo. A fisiopatologia envolve a obstrução terminal dos ductos glandulares e alterações qualitativas na secreção lipídica (meibum). O uso de derivados de tetraciclina em doses sub-antibióticas ou terapêuticas visa modificar a composição lipídica e reduzir a inflamação da borda palpebral. A minociclina destaca-se pela alta lipossolubilidade, facilitando sua penetração nas glândulas sebáceas e de Meibomius, tornando-a uma ferramenta valiosa no manejo da blefarite posterior recalcitrante.
A minociclina e outras tetraciclinas atuam inibindo as lipases produzidas por bactérias da flora palpebral (como o Staphylococcus). Essas lipases quebram os lipídios normais das glândulas de Meibomius em ácidos graxos livres, que são irritantes para a superfície ocular e alteram a estabilidade do filme lacrimal. Além disso, possuem propriedades anti-inflamatórias ao inibir metaloproteinases de matriz (MMPs) e citocinas pró-inflamatórias.
As tetraciclinas são contraindicadas em gestantes, lactantes e crianças menores de 8 a 12 anos, devido ao risco de deposição nos dentes em formação (causando descoloração permanente) e nos ossos. Também devem ser evitadas em pacientes com hipersensibilidade conhecida e em casos de insuficiência renal grave (exceto a doxiciclina).
Os efeitos colaterais incluem fotossensibilidade cutânea, distúrbios gastrointestinais, tontura e, raramente, hiperpigmentação da pele ou mucosas e pseudotumor cerebral (hipertensão intracraniana idiopática). O monitoramento clínico é essencial durante tratamentos prolongados, comuns na DGM crônica.
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