Disfunção Cognitiva na Esclerose Múltipla: Manejo

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 56 anos é avaliada por dificuldades recentes com tarefas no seu trabalho como assistente jurídico, especialmente aquelas que envolvem memória de curto prazo e multitarefa. Ela tem esclerose múltipla e já teve episódios depressivos maiores anteriores, que foram tratados, recorrentemente, com venlafaxina. Outros medicamentos em uso são: acetato de glatirâmer e suplemento de vitamina D. Os sinais vitais são normais. Exame neurológico: ela consegue lembrar apenas um dos três objetos em 3 minutos e recita "o-d-n-u-m" quando solicitado a soletrar "mundo" de trás para frente. A pontuação no PHQ-9 (Questionário de Saúde do Paciente - 9) para depressão é 4, devido a dificuldades de concentração e sono. Nesse momento, o manejo mais adequado é

Alternativas

  1. A) aumentar a dose de venlafaxina.
  2. B) encaminhar para reabilitação cognitiva.
  3. C) iniciara memantina.
  4. D) iniciar o metilfenidato.
  5. E) trocar a venlafaxina por duloxetina.

Pérola Clínica

Disfunção cognitiva em EM, mesmo com depressão controlada, requer reabilitação cognitiva.

Resumo-Chave

A disfunção cognitiva é comum na esclerose múltipla e pode ocorrer independentemente da depressão. Com um PHQ-9 baixo, a causa principal dos sintomas cognitivos não é a depressão, e o manejo mais adequado é a reabilitação cognitiva, que visa melhorar as habilidades cognitivas e estratégias compensatórias.

Contexto Educacional

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória e neurodegenerativa crônica do sistema nervoso central que afeta o cérebro, a medula espinhal e os nervos ópticos. Embora classicamente associada a sintomas motores e sensitivos, a disfunção cognitiva é uma manifestação comum e debilitante, afetando até 70% dos pacientes. Ela tem um impacto significativo na qualidade de vida, capacidade de trabalho e autonomia, sendo um ponto crucial na avaliação e manejo da doença. A disfunção cognitiva na EM pode se manifestar como dificuldades na memória de curto prazo, velocidade de processamento de informações, atenção, funções executivas e multitarefa. É importante diferenciar esses déficits de outras causas, como depressão ou fadiga, que também são prevalentes na EM e podem mimetizar ou exacerbar os sintomas cognitivos. No caso da paciente, um PHQ-9 baixo sugere que a depressão não é a principal causa dos sintomas cognitivos atuais, indicando que a disfunção é intrínseca à EM. O manejo da disfunção cognitiva na EM é complexo e, atualmente, a reabilitação cognitiva é a intervenção não farmacológica mais eficaz. Ela envolve treinamento cognitivo e estratégias compensatórias para melhorar as habilidades cognitivas e a funcionalidade diária. Não há medicamentos aprovados especificamente para tratar a disfunção cognitiva na EM. Portanto, o encaminhamento para reabilitação cognitiva é a conduta mais adequada para otimizar a função e a qualidade de vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os domínios cognitivos mais frequentemente afetados na Esclerose Múltipla?

Os domínios mais comumente afetados incluem velocidade de processamento de informações, memória de curto prazo (episódica e de trabalho), atenção e funções executivas (planejamento, multitarefa).

Como a reabilitação cognitiva atua no manejo da disfunção cognitiva na EM?

A reabilitação cognitiva utiliza estratégias para restaurar ou compensar déficits cognitivos, ensinando técnicas para melhorar a memória, atenção e funções executivas, além de adaptar o ambiente e as tarefas para otimizar o desempenho.

Qual a relação entre depressão e disfunção cognitiva na Esclerose Múltipla?

A depressão é comum na EM e pode exacerbar os sintomas cognitivos, mas a disfunção cognitiva é uma manifestação primária da doença. É crucial diferenciar e tratar ambas as condições, pois o tratamento da depressão pode não resolver completamente os déficits cognitivos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo