Disfotopsia Negativa no Pós-Operatório de Catarata

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Um paciente submetido a facoemulsificação, sem intercorrências, com implante de uma lente intraocular acrílica hidrofóbica de peça única, vem em consulta um mês após a cirurgia queixando-se de enxergar uma mancha escurecida de formato arqueado na região temporal. Afirma que esse sintoma não existia antes da cirurgia. O exame oftalmológico do segmento anterior não apresenta alterações e sua acuidade visual é 1,0 Com relação à principal suspeita diagnóstica e conduta, assinale a alternativa correta dentre as abaixo.

Alternativas

  1. A) A opacificação setorial dessas lentes é observada quando é colocada bolha de ar ao final da cirurgia e deve-se trocar a lente por outra de material diferente.
  2. B) A permanência de viscoelástico levou a glaucoma secundário e deve-se iniciar o tratamento com colírios hipotensores.
  3. C) Em olhos susceptíveis, a interação entre a borda nasal da lente, pupila e os raios de luz é capaz de causar disfotopsias negativas e o paciente deve ser observado.
  4. D) Ocorreu provável rotura retiniana temporal superior durante a cirurgia levando a descolamento regmatogênico e o paciente deve ser encaminhado para vitrectomia posterior.

Pérola Clínica

Sombra temporal arqueada + AV 1.0 + Segmento anterior normal = Disfotopsia Negativa.

Resumo-Chave

A disfotopsia negativa é uma queixa comum no pós-operatório de catarata, caracterizada por uma sombra no campo temporal, resultante da interação entre a luz, a borda da LIO e a pupila.

Contexto Educacional

A disfotopsia negativa é um fenômeno óptico indesejado que afeta uma parcela significativa de pacientes submetidos à facoemulsificação com implante de LIO. Diferente da disfotopsia positiva (flares, halos e flashes), a negativa é caracterizada pela ausência de luz em uma zona específica da retina. A fisiopatologia envolve a sombra projetada pela borda nasal da LIO na retina temporal. Estudos sugerem que lentes com alto índice de refração e bordas truncadas aumentam a incidência. O diagnóstico é eminentemente clínico e de exclusão, sendo vital descartar patologias retinianas. A compreensão deste fenômeno é crucial para evitar reintervenções desnecessárias e para tranquilizar o paciente sobre a natureza benigna da condição.

Perguntas Frequentes

O que causa a disfotopsia negativa?

A disfotopsia negativa é causada por uma lacuna de iluminação na retina periférica. Isso ocorre devido à interação complexa entre os raios de luz que passam pela borda da lente intraocular (LIO) e aqueles que passam ao lado dela. Fatores como o material da lente (alto índice de refração como o acrílico hidrofóbico), bordas quadradas, posição da LIO no saco capsular e a distância entre a íris e a lente contribuem para o fenômeno. É mais comum em olhos com pupilas pequenas e em condições de iluminação específicas.

Quais são os sintomas típicos relatados pelo paciente?

O paciente geralmente descreve a percepção de uma sombra escura, em formato de arco ou crescente, localizada invariavelmente no campo visual temporal. É importante notar que essa queixa surge após a cirurgia de catarata com implante de LIO, e o paciente mantém uma excelente acuidade visual central (frequentemente 1.0 ou 20/20) e um exame de segmento anterior e fundo de olho sem alterações que justifiquem o sintoma.

Qual é a conduta recomendada para disfotopsia negativa?

A conduta inicial é a observação e o aconselhamento do paciente (neuroadaptação). Na grande maioria dos casos, os sintomas diminuem ou tornam-se imperceptíveis com o tempo. Se os sintomas forem persistentes e debilitantes, opções cirúrgicas podem ser consideradas, como a troca da LIO por uma de material diferente (ex: silicone), o uso de lentes com bordas arredondadas, o reposicionamento da lente (piggyback) ou a realização de 'reverse optic capture' (trazer a óptica da lente para frente da rexe anterior).

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