SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Mulher, negra, 63 anos, portadora de dor difusa crônica, hipertensão arterial sistêmica e obesidade. É líder comunitária e responsável por furar as orelhas dos bebês da comunidade. Vem a primeira consulta com o residente de medicina de família e comunidade. Muito chorosa, diz que não consegue falar e que sente dor. Quando ela se refere à garganta e coloca seus dedos na parte frontal da mesma, apresenta piora da disfonia que já ocorria desde o início da consulta. Quando questionada sobre o tabagismo, comenta que sua "pomba gira" fuma quando vai ao terreiro. O mesmo relato ocorre quando se refere a bebida alcoólica. Refere que vai ao terreiro 5 vezes por semana, não sabe precisar quantos cigarros são utilizados por dia. Frequenta o terreiro desde os 20 anos. Nega perda de peso. Refere disfonia há pelo menos 2 anos. De acordo com o caso clínico acima, sobre a disfonia, marque a alternativa correta:
Disfonia > 15 dias em tabagista/etilista = sinal de alarme. Indicar laringoscopia indireta para excluir malignidade.
A disfonia que persiste por mais de 15 dias, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo e etilismo, deve ser prontamente investigada com laringoscopia indireta. Essa conduta é crucial para descartar lesões malignas na laringe, cujo prognóstico melhora significativamente com o diagnóstico precoce.
A disfonia, ou rouquidão, é uma alteração na qualidade da voz que pode ter diversas causas. Quando persiste por mais de 15 dias (ou 2 a 3 semanas), é classificada como disfonia crônica e deve ser investigada, especialmente na presença de fatores de risco. A paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco, como idade (63 anos), tabagismo e etilismo (mesmo que 'espiritual', a exposição é real), e o fato de ser líder comunitária pode indicar abuso vocal, mas a prioridade é excluir causas graves. O tabagismo e o etilismo são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de laringe, que se manifesta frequentemente como disfonia persistente. A idade avançada também aumenta o risco. Diante de uma disfonia crônica em um paciente com esses fatores de risco, a conduta mais adequada é a realização de uma laringoscopia indireta. Este exame permite a visualização direta das cordas vocais e da laringe, possibilitando a identificação de lesões pré-malignas ou malignas. Embora o abuso vocal (devido à liderança comunitária) possa causar disfonia (nódulos vocais, pólipos), a presença dos fatores de risco para câncer torna a investigação de malignidade a prioridade. A ressonância magnética de região cervical seria um exame de estadiamento, não de diagnóstico inicial para uma disfonia. O diagnóstico precoce do câncer de laringe é fundamental para um melhor prognóstico, justificando a urgência na realização da laringoscopia.
A disfonia é considerada crônica quando persiste por mais de 15 dias (ou 2 a 3 semanas). Torna-se um sinal de alarme, exigindo investigação, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo, etilismo, idade acima de 40 anos ou histórico de refluxo gastroesofágico.
A laringoscopia indireta é o exame inicial e fundamental para visualizar as cordas vocais e a laringe. Permite identificar lesões como nódulos, pólipos, edema de Reinke, paralisias de cordas vocais e, crucialmente, lesões suspeitas de malignidade, possibilitando a biópsia para confirmação diagnóstica.
Os principais fatores de risco para câncer de laringe são o tabagismo e o etilismo, que atuam de forma sinérgica. Outros fatores incluem exposição a agentes químicos, infecção por HPV (raro na laringe, mais comum na orofaringe) e refluxo gastroesofágico crônico.
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