Disfagia Progressiva: Investigação e Diagnóstico de Acalasia

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 32 anos de idade, hígido, proveniente do interior do Ceará, com queixa de disfagia lentamente progressiva. Quais exames devem ser solicitados nesta consulta?

Alternativas

  1. A) Exame contrastado do esôfago (EED), eletromanometria esofágica, sorologia para chagas, endoscopia com lugol.
  2. B) EED, pHmetria, sorologia para chagas, endoscopia digestiva alta com lugol.
  3. C) Eletromanometria esofágica, sorologia para chagas e endoscopia digestiva alta com azul de metileno.
  4. D) Endoscopia digestiva alta com biópsia, tomografia computadorizada cervical de tórax e abdome superior; PET-CT, broncoscopia.

Pérola Clínica

Disfagia progressiva + região endêmica Chagas = investigar acalasia com EED, manometria, sorologia Chagas e EDA.

Resumo-Chave

A disfagia progressiva em um paciente de área endêmica para Chagas sugere fortemente acalasia. A investigação deve ser abrangente, incluindo exames morfológicos (EED, EDA), funcionais (manometria) e etiológicos (sorologia para Chagas), com a EDA auxiliando na exclusão de outras causas e avaliação de complicações.

Contexto Educacional

A disfagia progressiva é um sintoma alarmante que requer investigação imediata, especialmente em adultos. No Brasil, particularmente em regiões endêmicas como o Ceará, a doença de Chagas é uma causa importante de distúrbios motores esofágicos, como a acalasia (megaesôfago chagásico). A acalasia é caracterizada pela falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior e pela ausência de peristalse no corpo esofágico, levando à retenção alimentar e dilatação esofágica. A abordagem diagnóstica da disfagia progressiva deve ser sistemática. Inicialmente, uma endoscopia digestiva alta é crucial para excluir lesões obstrutivas malignas ou benignas e avaliar a mucosa esofágica. Em seguida, o esofagograma baritado (EED) fornece informações morfológicas sobre a dilatação esofágica e o padrão de esvaziamento, frequentemente revelando o clássico "bico de pássaro". O exame confirmatório funcional é a manometria esofágica de alta resolução, que avalia a pressão e a coordenação das contrações esofágicas e o relaxamento do esfíncter. Dada a procedência do paciente, a sorologia para Chagas é indispensável para determinar a etiologia. A endoscopia com lugol pode ser considerada para rastreamento de lesões pré-malignas ou malignas em esôfagos cronicamente inflamados ou dilatados.

Perguntas Frequentes

Qual a sequência ideal de exames para investigar disfagia progressiva com suspeita de acalasia?

A sequência ideal geralmente começa com endoscopia digestiva alta para excluir lesões obstrutivas, seguida por esofagograma baritado para avaliar a morfologia e manometria esofágica para confirmar o distúrbio motor. A sorologia para Chagas é essencial em áreas endêmicas.

Por que a sorologia para Chagas é importante na investigação de disfagia no Ceará?

O Ceará é uma região endêmica para a doença de Chagas, e a infecção crônica pelo Trypanosoma cruzi pode causar megaesôfago (acalasia chagásica) devido à destruição dos neurônios do plexo mioentérico esofágico.

Qual a finalidade da endoscopia digestiva alta com lugol na investigação da disfagia?

A endoscopia digestiva alta é fundamental para excluir causas mecânicas de disfagia, como tumores ou estenoses. O uso de lugol pode auxiliar na identificação de áreas de displasia ou carcinoma escamoso precoce, especialmente em esôfagos com acalasia de longa data.

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