UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Paciente mulher, de 66 anos, procura assistência médica devido ao quadro de disfagia progressiva e perda de peso de, aproximadamente, 8%. Refere que o quadro disfágico se iniciou há pouco mais de 6 anos, porém se intensificou há 6 meses, evoluindo rapidamente de sólido para líquido. De acordo com o quadro clínico, assinale a afirmativa correta.
Disfagia progressiva em idoso com perda de peso → Manometria essencial para acalasia vs pseudoacalasia, guiando conduta.
A disfagia progressiva, especialmente em idosos e com perda de peso, levanta suspeitas de condições graves como acalasia ou malignidade esofágica (pseudoacalasia). A manometria esofágica é crucial para o diagnóstico definitivo da acalasia e seus subtipos, o que impacta diretamente a escolha da abordagem terapêutica, seja cirúrgica ou endoscópica.
A disfagia progressiva, especialmente em pacientes idosos e associada à perda de peso, é um sintoma alarmante que exige investigação minuciosa. O quadro clínico de disfagia que evolui de sólidos para líquidos, com longa duração mas piora recente, sugere um distúrbio motor esofágico crônico como a acalasia, mas a rápida intensificação e a perda de peso levantam a preocupação com malignidade, como o câncer de esôfago ou cárdia, que pode se apresentar como pseudoacalasia. A manometria esofágica de alta resolução é o exame diagnóstico padrão-ouro para a acalasia, caracterizando a aperistalse do corpo esofágico e o relaxamento incompleto do esfíncter esofágico inferior (EEI). A classificação dos subtipos de acalasia pela manometria (tipo I, II ou III) é crucial, pois pode guiar a escolha da terapia, seja dilatação pneumática, miotomia de Heller ou POEM (Miotomia Endoscópica Peroral). Antes da manometria, a endoscopia digestiva alta é indispensável para excluir causas mecânicas de obstrução, principalmente neoplasias, que podem mimetizar a acalasia (pseudoacalasia). A biópsia de qualquer lesão suspeita é obrigatória. A avaliação nutricional, como a avaliação subjetiva global, é importante para identificar e manejar a desnutrição, mas a terapia nutricional parenteral não é a conduta inicial imposta sem uma avaliação completa e tentativa de outras intervenções. A internação para cirurgia imediata não é a conduta padrão, sendo a cirurgia eletiva após o diagnóstico e preparo adequado.
Em idosos, as principais causas incluem acalasia, estenoses benignas (pós-cáusticas, pépticas), anéis e membranas esofágicas, e, crucialmente, neoplasias esofágicas ou gástricas que podem mimetizar distúrbios motores (pseudoacalasia).
A manometria esofágica é o padrão-ouro para diagnosticar acalasia, pois avalia a motilidade esofágica e a função do esfíncter esofágico inferior (EEI), revelando aperistalse do corpo esofágico e relaxamento incompleto do EEI. Ela também ajuda a classificar os subtipos de acalasia, que podem influenciar a escolha do tratamento.
A endoscopia digestiva alta é fundamental para excluir causas obstrutivas mecânicas, especialmente malignidade (câncer de esôfago ou cárdia), que pode causar pseudoacalasia. Permite a visualização direta da mucosa, biópsias de lesões suspeitas e dilatação de estenoses.
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