INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem de 65 anos, natural da Bahia, procedente da zona rural, é encaminhado ao ambulatório de gastroenterologia de um hospital escola devido a quadro de disfagia progressiva desenvolvido há 1 ano. O quadro piorou há 2 meses. O paciente passou a apresentar vômitos frequentes com restos alimentares, sem sangue. Nesse período, ele perdeu cerca de 12% de seu peso corporal.A partir dessas informações, é correto afirmar que a investigação complementar inicial, considerando a etiologia mais provável desse quadro, deve incluir
Disfagia progressiva com vômitos de restos alimentares em idoso de área endêmica (Bahia rural) → investigar doença de Chagas (megaesôfago).
Em um paciente idoso, procedente de zona rural da Bahia, com disfagia progressiva, vômitos de restos alimentares e perda de peso, a principal hipótese diagnóstica é megaesôfago chagásico (acalasia), tornando a sorologia para doença de Chagas a investigação complementar inicial mais adequada.
A disfagia progressiva em um paciente idoso é um sintoma alarmante que sempre exige investigação. Embora neoplasias esofágicas sejam uma preocupação primária, o contexto epidemiológico é fundamental para direcionar a investigação. No Brasil, especialmente em regiões como a Bahia e outras áreas rurais, a doença de Chagas é uma causa endêmica e importante de megaesôfago, também conhecido como acalasia chagásica. A doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, em sua fase crônica, pode afetar o sistema nervoso entérico, levando à destruição dos neurônios do plexo mioentérico do esôfago. Isso resulta em aperistalse e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior, culminando em disfagia, regurgitação de alimentos não digeridos e perda de peso significativa. Diante de um paciente com histórico de procedência de área endêmica para Chagas e sintomas compatíveis com megaesôfago, a sorologia para T. cruzi deve ser a primeira linha de investigação diagnóstica. A confirmação da etiologia chagásica é crucial para o manejo adequado, que pode incluir medidas dietéticas, farmacológicas, endoscópicas (dilatação) ou cirúrgicas (cardiomiotomia de Heller), e para o rastreamento de outras manifestações da doença, como a cardiomiopatia chagásica.
A doença de Chagas crônica pode levar a formas digestivas, sendo as mais comuns o megaesôfago (acalasia chagásica), caracterizado por disfagia, regurgitação e perda de peso, e o megacólon, com constipação severa.
O paciente apresenta um quadro clínico clássico de megaesôfago (disfagia progressiva, vômitos com restos, perda de peso) e um perfil epidemiológico de risco (idoso, natural da Bahia, zona rural), tornando a doença de Chagas a etiologia mais provável a ser investigada inicialmente.
Após a sorologia positiva, a esofagomanometria é crucial para confirmar a acalasia e classificar sua gravidade. A radiografia contrastada de esôfago (esofagograma) também é útil para visualizar a dilatação esofágica e o "bico de pássaro".
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