Disfagia Progressiva: Diagnóstico em Áreas Endêmicas

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

Você atende paciente de 32 anos, hígido, proveniente do interior do Ceará, com queixa de disfagia lentamente progressiva. Quais exames devem ser solicitados?

Alternativas

  1. A) Endoscopia digestiva alta com biópsia; tomografia computadorizada cervical de tórax e abdome superior; PETCT, broncoscopia.
  2. B) EED, pHmetria, sorologia para chagas, endoscopia digestiva alta com lugol.
  3. C) Eletromanometria esofágica, sorologia para chagas e endoscopia digestiva alta com azul de metileno.
  4. D) Exame contrastado do esôfago (EED), eletromanometria esofágica, sorologia para chagas, endoscopia com lugol.

Pérola Clínica

Disfagia progressiva + área endêmica Chagas → EED, manometria, sorologia Chagas, EDA com lugol.

Resumo-Chave

Em paciente jovem com disfagia progressiva, especialmente de área endêmica para Chagas, a investigação deve incluir exames morfológicos (EED, EDA) e funcionais (manometria esofágica) para avaliar o peristaltismo e a relaxamento do esfíncter inferior, além da sorologia para Chagas. O lugol na EDA ajuda a identificar áreas de displasia.

Contexto Educacional

A disfagia é um sintoma alarmante que requer investigação cuidadosa, especialmente quando progressiva. Em pacientes jovens e provenientes de áreas endêmicas, como o interior do Ceará, a doença de Chagas deve ser fortemente considerada no diagnóstico diferencial do megaesôfago, também conhecido como acalasia secundária. A acalasia é caracterizada pela falha no relaxamento do esfíncter inferior do esôfago e ausência de peristaltismo esofágico. A propedêutica para disfagia progressiva deve ser abrangente. O exame contrastado do esôfago (EED) é fundamental para avaliar a morfologia, identificar dilatações, estenoses e o clássico "bico de pássaro" na acalasia. A eletromanometria esofágica é o padrão-ouro para o diagnóstico funcional, avaliando a pressão dos esfíncteres e a coordenação do peristaltismo. A endoscopia digestiva alta (EDA) permite a visualização direta da mucosa, exclusão de lesões obstrutivas e biópsias. O uso de lugol na EDA pode auxiliar na detecção de áreas de displasia ou carcinoma, que são complicações potenciais do megaesôfago de longa data. A sorologia para doença de Chagas é indispensável em regiões endêmicas, confirmando a etiologia chagásica do megaesôfago. O tratamento da acalasia pode variar de dilatação endoscópica, miotomia de Heller (cirúrgica) a POEM (miotomia endoscópica peroral), visando aliviar a obstrução funcional. O manejo deve ser individualizado, considerando a gravidade dos sintomas, a etiologia e as condições clínicas do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais exames para investigar disfagia?

A investigação da disfagia inclui o exame contrastado do esôfago (EED) para avaliar a morfologia, a eletromanometria esofágica para a função motora, e a endoscopia digestiva alta (EDA) para visualização direta da mucosa e biópsias.

Por que a sorologia para Chagas é importante na investigação da disfagia?

A doença de Chagas é uma causa comum de megaesôfago (acalasia secundária) em áreas endêmicas, como o Ceará. A infecção pelo Trypanosoma cruzi destrói os neurônios do plexo mioentérico, levando à dismotilidade esofágica.

Qual o papel do lugol na endoscopia digestiva alta para disfagia?

O lugol é utilizado na endoscopia para corar a mucosa esofágica e realçar áreas de displasia ou carcinoma in situ, que podem ser causas de disfagia, especialmente em pacientes com fatores de risco.

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