Disfagia Orofaríngea em Idosos: Diagnóstico e Conduta

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 72 anos de idade, refere que há um ano tem apresentado episódios recorrentes de regurgitação involuntária de alimentos mal digeridos, associados à dificuldade na deglutição, especialmente para alimentos líquidos. No último ano, esteve internado por pneumonias por três vezes. Refere que, por vezes, parece que os alimentos “saem pelo nariz” e que se engasga com facilidade. Nega perda de peso, anorexia, astenia, pirose, dor torácica, disfonia, odinofagia ou febre. Tem hipertensão arterial e doença vascular periférica. Tem halitose à inspeção da cavidade oral. Ausculta pulmonar: estertores creptantes em ambas as bases. Em relação ao caso apresentado, qual é a próxima conduta mais apropriada na abordagem do paciente?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia de região cervical.
  2. B) Endoscopia digestiva alta.
  3. C) Videofluoroscopia da deglutição.
  4. D) Manometria de esôfago.
  5. E) Tomografia computadorizada de tórax.

Pérola Clínica

Disfagia para líquidos + regurgitação + pneumonias de repetição + halitose em idoso → suspeitar de disfagia orofaríngea/divertículo de Zenker; Videofluoroscopia é a próxima conduta.

Resumo-Chave

O quadro clínico de disfagia, especialmente para líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos, pneumonias de repetição e halitose em idosos é altamente sugestivo de disfagia orofaríngea ou divertículo de Zenker. A videofluoroscopia da deglutição é o exame padrão-ouro para avaliar a fase orofaríngea da deglutição e identificar a causa da aspiração.

Contexto Educacional

A disfagia, ou dificuldade para deglutir, é um sintoma comum, especialmente em idosos, e pode ter causas orofaríngeas ou esofágicas. A disfagia orofaríngea, frequentemente associada a distúrbios neurológicos ou estruturais como o divertículo de Zenker, é caracterizada pela dificuldade em iniciar a deglutição e pelo risco aumentado de aspiração pulmonar, levando a complicações como pneumonias. A fisiopatologia da disfagia orofaríngea envolve a coordenação complexa de músculos da boca, faringe e laringe. No caso apresentado, a regurgitação de alimentos não digeridos, dificuldade com líquidos, pneumonias de repetição e halitose são sinais clássicos de um problema na fase orofaríngea, como um divertículo de Zenker ou disfunção cricofaríngea. A suspeita clínica é fundamental para direcionar a investigação. A videofluoroscopia da deglutição é o exame padrão-ouro para a avaliação dinâmica da deglutição orofaríngea, permitindo visualizar a passagem do alimento e identificar a presença e o grau de aspiração. Outros exames como a manometria esofágica avaliam a função esofágica, e a endoscopia digestiva alta é mais indicada para disfagia esofágica ou para descartar lesões obstrutivas, mas deve ser feita com cautela em caso de suspeita de divertículo de Zenker devido ao risco de perfuração.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas que sugerem disfagia orofaríngea em vez de esofágica?

A disfagia orofaríngea se manifesta com dificuldade inicial para iniciar a deglutição, engasgos, tosse durante ou após as refeições, regurgitação nasal e pneumonias aspirativas. A disfagia esofágica é mais caracterizada pela sensação de alimento 'preso' no peito.

Por que a videofluoroscopia é a conduta mais apropriada neste caso?

A videofluoroscopia da deglutição é o exame mais indicado para avaliar a fase orofaríngea da deglutição em tempo real, identificar a presença de aspiração, a localização e o mecanismo da disfagia, sendo crucial para planejar a intervenção.

Qual o papel do divertículo de Zenker no quadro clínico apresentado?

O divertículo de Zenker é uma herniação da mucosa faríngea que pode acumular alimentos, causando regurgitação de alimentos não digeridos, halitose e, em casos graves, compressão esofágica e aspiração, levando a pneumonias de repetição.

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