Disfagia Lusória: Causas, Diagnóstico e Artéria Subclávia Aberrante

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

A chamada disfagia lusória é causada por:

Alternativas

  1. A) Denervação do esôfago.
  2. B) Leiomioma esofágico.
  3. C) Compressão por tumor extraesofágico.
  4. D) Artéria subclávia direita aberrante.
  5. E) Isquemia do esôfago.

Pérola Clínica

Disfagia lusória = compressão esofágica extrínseca por artéria subclávia direita aberrante.

Resumo-Chave

A disfagia lusória ocorre quando a artéria subclávia direita nasce distalmente à subclávia esquerda no arco aórtico, cruzando retroesofagicamente e causando compressão mecânica.

Contexto Educacional

A disfagia lusória é uma causa rara, porém clássica, de disfagia mecânica extrínseca. O termo 'lusória' deriva de 'lusus naturae' (capricho da natureza). Embora a anomalia vascular esteja presente em cerca de 0,5% a 1,8% da população, a maioria dos indivíduos permanece assintomática por toda a vida. Os sintomas costumam surgir na infância ou, mais comumente, na idade adulta devido ao desenvolvimento de aterosclerose ou ectasia do vaso aberrante. Clinicamente, o paciente apresenta disfagia progressiva para sólidos. É fundamental diferenciar esta condição de neoplasias esofágicas ou distúrbios motores. O reconhecimento desta entidade evita biópsias desnecessárias durante a endoscopia digestiva alta, que pode mostrar apenas uma pulsação extrínseca na parede esofágica.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a artéria lusória?

A artéria lusória é uma variação anatômica onde a artéria subclávia direita origina-se como o último ramo do arco aórtico, em vez de ser o primeiro ramo do tronco braquiocefálico. Para alcançar o membro superior direito, ela geralmente cruza o mediastino por trás do esôfago (80% dos casos), podendo causar compressão extrínseca da parede esofágica posterior, resultando em sintomas de disfagia, especialmente para sólidos.

Como é feito o diagnóstico de disfagia lusória?

O diagnóstico inicial pode ser sugerido por um esofagograma baritado, que revela uma indentação oblíqua característica na parede posterior do esôfago ao nível do arco aórtico. A confirmação definitiva e o detalhamento anatômico para planejamento cirúrgico são realizados preferencialmente através de angiotomografia computadorizada ou angiorressonância magnética de tórax, que visualizam diretamente o trajeto aberrante do vaso.

Qual o tratamento indicado para disfagia lusória?

O tratamento depende da gravidade dos sintomas. Em casos leves, modificações dietéticas e mastigação cuidadosa podem ser suficientes. Em pacientes com sintomas graves, desnutrição ou complicações vasculares (como o divertículo de Kommerell), o tratamento é cirúrgico, consistindo na ligadura ou reimplante da artéria subclávia direita aberrante para aliviar a compressão esofágica.

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