ENARE/ENAMED — Prova 2025
A chamada disfagia lusória é causada por:
Disfagia lusória = compressão esofágica extrínseca por artéria subclávia direita aberrante.
A disfagia lusória ocorre quando a artéria subclávia direita nasce distalmente à subclávia esquerda no arco aórtico, cruzando retroesofagicamente e causando compressão mecânica.
A disfagia lusória é uma causa rara, porém clássica, de disfagia mecânica extrínseca. O termo 'lusória' deriva de 'lusus naturae' (capricho da natureza). Embora a anomalia vascular esteja presente em cerca de 0,5% a 1,8% da população, a maioria dos indivíduos permanece assintomática por toda a vida. Os sintomas costumam surgir na infância ou, mais comumente, na idade adulta devido ao desenvolvimento de aterosclerose ou ectasia do vaso aberrante. Clinicamente, o paciente apresenta disfagia progressiva para sólidos. É fundamental diferenciar esta condição de neoplasias esofágicas ou distúrbios motores. O reconhecimento desta entidade evita biópsias desnecessárias durante a endoscopia digestiva alta, que pode mostrar apenas uma pulsação extrínseca na parede esofágica.
A artéria lusória é uma variação anatômica onde a artéria subclávia direita origina-se como o último ramo do arco aórtico, em vez de ser o primeiro ramo do tronco braquiocefálico. Para alcançar o membro superior direito, ela geralmente cruza o mediastino por trás do esôfago (80% dos casos), podendo causar compressão extrínseca da parede esofágica posterior, resultando em sintomas de disfagia, especialmente para sólidos.
O diagnóstico inicial pode ser sugerido por um esofagograma baritado, que revela uma indentação oblíqua característica na parede posterior do esôfago ao nível do arco aórtico. A confirmação definitiva e o detalhamento anatômico para planejamento cirúrgico são realizados preferencialmente através de angiotomografia computadorizada ou angiorressonância magnética de tórax, que visualizam diretamente o trajeto aberrante do vaso.
O tratamento depende da gravidade dos sintomas. Em casos leves, modificações dietéticas e mastigação cuidadosa podem ser suficientes. Em pacientes com sintomas graves, desnutrição ou complicações vasculares (como o divertículo de Kommerell), o tratamento é cirúrgico, consistindo na ligadura ou reimplante da artéria subclávia direita aberrante para aliviar a compressão esofágica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo