UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020
Dr. Rodrigo recebe em seu plantão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), às 23h40min, uma criança de 6 anos com queixa de diarreia. A mãe refere que o quadro começou há 4 dias, com várias evacuações ao dia de fezes amolecidas, com presença de muco. Hoje notou a presença de sangue nas fezes e por isso procurou o hospital. A mãe refere ainda que a criança apresentou febre (38ºC) ontem, e que se queixa frequentemente de cólicas. Ao exame encontra-se em regular estado geral, hidratada, corada e eupneica. Temperatura: 37,9ºC; FC: 90bpm; sem alterações na ausculta pulmonar e cardíaca. Abdome flácido, doloroso à palpação e sem sinais de abdome agudo. O diagnóstico sindrômico neste caso e o agente etiológico mais provável são:
Sangue + Muco + Febre + Cólica = Disenteria (Shigella sp. é o principal agente).
A síndrome disentérica caracteriza-se pela invasão da mucosa colônica, resultando em fezes com sangue e muco, sendo a Shigella o agente bacteriano mais comum em crianças.
A abordagem da diarreia na infância exige a distinção clara entre diarreia aquosa e disenteria. Enquanto a primeira é frequentemente viral (Rotavírus, Norovírus) e tratada apenas com reidratação, a disenteria sugere invasão tecidual. A Shigella destaca-se pela sua capacidade de causar microabscessos e ulcerações na mucosa colônica, o que explica o sangue e o muco observados pela mãe no caso clínico. Além da Shigella, outros agentes como Campylobacter jejuni, Salmonella não-tifoide e Escherichia coli enteroinvasiva (EIEC) podem causar quadros semelhantes. No entanto, epidemiologicamente, a Shigella prevalece em surtos e casos esporádicos na infância. O manejo envolve hidratação rigorosa, monitoramento de complicações extraintestinais e, na maioria dos protocolos, a introdução de antibioticoterapia direcionada.
A síndrome disentérica é definida pela presença de fezes de pequeno volume contendo sangue, muco ou pus, frequentemente acompanhadas de febre, dor abdominal em cólica, tenesmo (sensação de evacuação incompleta) e urgência fecal. Diferente da diarreia aquosa, que é secretora ou osmótica, a disenteria indica um processo inflamatório e invasivo da mucosa do cólon e reto, geralmente causado por patógenos bacterianos ou protozoários.
A Shigella sp. é a causa bacteriana mais comum de disenteria em crianças em todo o mundo. Ela possui alta infectividade (baixa dose infectante) e provoca uma reação inflamatória intensa na mucosa intestinal através da invasão celular e produção de toxinas (como a toxina Shiga). O quadro clínico de febre alta, cólicas severas e evolução de fezes amolecidas para sanguinolentas é clássico da shigelose pediátrica.
Na suspeita de disenteria bacteriana (especialmente por Shigella), o uso de antibióticos é recomendado para reduzir a duração da febre e da diarreia, prevenir complicações graves (como convulsões ou megacólon tóxico) e diminuir a transmissão interpessoal. As opções de primeira linha incluem Ceftriaxone venoso ou Azitromicina/Ciprofloxacino oral, dependendo do perfil de resistência local e da gravidade do paciente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo