INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Secundigesta, com parto normal anterior há 2 anos, sem comorbidades e com 38 semanas de gestação, encontra-se em trabalho de parto há 5 horas, conforme registrado no partograma a seguir.Analisando a evolução clínica desse parto, faça o que se pede nos itens a seguir.Responda qual é o diagnóstico da discinesia registrada no partograma.Descreva 4 medidas terapêuticas adequadas que podem ser oferecidas à paciente nesse cenário.
Partograma alterado → Corrigir distocias funcionais com amniotomia, oxitocina e posição.
As discinesias de fase ativa (prolongada ou parada) exigem intervenção ativa para corrigir a dinâmica uterina e favorecer a progressão cefalopélvica antes de indicar cesárea.
O partograma é a representação gráfica do trabalho de parto e uma ferramenta essencial da OMS para prevenir a morbimortalidade materna e neonatal. As distocias funcionais, ou discinesias, representam falhas na motorística uterina ou na coordenação das contrações. O diagnóstico preciso entre fase ativa prolongada, parada secundária da dilatação ou parada secundária da descida orienta a terapêutica. A intervenção deve ser escalonada: primeiro otimiza-se o ambiente e a posição da mãe, seguido por métodos físicos (amniotomia) e farmacológicos (oxitocina). A compreensão da fisiologia do parto permite que o obstetra evite intervenções desnecessárias (cesáreas por conveniência) ao mesmo tempo que identifica quando o parto vaginal não é mais seguro.
A Fase Ativa Prolongada é uma distocia funcional caracterizada por uma velocidade de dilatação cervical inferior a 1 cm por hora após o início da fase ativa (dilatação > 5-6 cm). No partograma, observa-se que a curva de dilatação ultrapassa a linha de alerta e pode atingir a linha de ação. As causas principais incluem contrações uterinas ineficientes (hipossistolia ou bradisistolia), variedades de posição fetais desfavoráveis ou uma desproporção cefalopélvica relativa. O manejo inicial foca na correção da dinâmica uterina antes de considerar a via abdominal.
As quatro medidas terapêuticas fundamentais para corrigir discinesias e favorecer a progressão do parto são: 1) Amniotomia (ruptura artificial das membranas), que libera prostaglandinas e aumenta o contato da apresentação com o colo; 2) Infusão endovenosa de oxitocina, para regularizar a frequência e intensidade das contrações; 3) Estímulo à deambulação ou mudanças de posição (verticalização), que utilizam a gravidade para o encaixe fetal; e 4) Analgesia de parto, que reduz o estresse materno e pode coordenar melhor as contrações em casos de hipertonia funcional.
A diferenciação é feita pela progressão da dilatação no tempo. Na Fase Ativa Prolongada, a dilatação ocorre, porém de forma muito lenta (menos de 1 cm/h). Já na Parada Secundária da Dilatação, a dilatação cervical permanece estagnada (o mesmo valor em centímetros) em dois exames de toque realizados com intervalo de pelo menos 2 horas, em uma paciente que já estava em fase ativa franca. Enquanto a fase prolongada sugere um problema de 'motor' (dinâmica), a parada secundária exige uma avaliação rigorosa para descartar desproporção cefalopélvica absoluta.
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