Discinesias por Levodopa: Tratamento com Amantadina

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 66 anos, acompanhada há 6 anos devido a doença de Parkinson, em uso de levodopa desde o início do acompanhamento. Há 8 meses, apresenta movimentos involuntários, inicialmente em membros inferiores, depois acontecendo também em tronco e membros superiores, iniciados após 90 minutos da tomada da levodopa, durando aproximadamente 30 minutos. Faz uso atual de levodopa/carbidopa 250/25mg 1/2 (meio) comprimido em 5 tomadas ao dia (intervalo médio de 3 horas entre as tomadas). Nega uso de outras medicações ou perda de efeito (rigidez, lentificação ou tremor) entre as tomadas. Ao exame neurológico são observados movimentos coreiformes em membros inferiores e superiores, além de leve rigidez e bradicinesia assimétricas. Qual a melhor opção terapêutica para ser associada a levodopa/carbidopa nessa paciente para diminuir os movimentos descritos?

Alternativas

  1. A) Amantadina
  2. B) Pramipexol.
  3. C) Biperideno.
  4. D) Rasagilina.

Pérola Clínica

Discinesias induzidas por levodopa (LID) na Doença de Parkinson → Amantadina é a primeira escolha para reduzir movimentos involuntários.

Resumo-Chave

A paciente apresenta discinesias de pico de dose, uma complicação comum do tratamento prolongado com levodopa na Doença de Parkinson. A amantadina é o medicamento de escolha para reduzir esses movimentos involuntários, agindo como um antagonista dos receptores NMDA.

Contexto Educacional

A Doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta o sistema motor. O tratamento com levodopa é a terapia mais eficaz para os sintomas motores, mas seu uso prolongado frequentemente leva ao desenvolvimento de complicações motoras, como as discinesias induzidas por levodopa (LID). Essas discinesias são movimentos involuntários que podem ser incapacitantes e afetar significativamente a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia das discinesias induzidas por levodopa envolve a pulsatilidade da estimulação dopaminérgica e alterações na neurotransmissão glutamatérgica nos gânglios da base. A paciente do caso apresenta discinesias de pico de dose, que ocorrem quando os níveis de levodopa estão mais altos. É importante diferenciar as discinesias da piora dos sintomas parkinsonianos (off-periods) ou da distonia de início de dose. A amantadina é o tratamento de primeira linha para as discinesias induzidas por levodopa. Ela atua modulando a neurotransmissão glutamatérgica. Outras abordagens incluem otimização da dose de levodopa, uso de agonistas dopaminérgicos ou inibidores da COMT para estabilizar os níveis de dopamina. Em casos avançados e refratários, a estimulação cerebral profunda (DBS) pode ser uma opção. O manejo das discinesias é um desafio na prática clínica e exige um ajuste fino da terapia medicamentosa.

Perguntas Frequentes

O que são as discinesias induzidas por levodopa na Doença de Parkinson?

As discinesias induzidas por levodopa (LID) são movimentos involuntários anormais, como coreia, distonia ou atetose, que surgem como complicação do tratamento prolongado com levodopa. Elas podem ocorrer no pico da dose, no início ou no final do efeito da medicação.

Qual o mecanismo de ação da amantadina no tratamento das discinesias?

A amantadina atua como um antagonista não competitivo dos receptores NMDA (N-metil-D-aspartato) de glutamato. Acredita-se que a superestimulação glutamatérgica contribua para as discinesias, e a amantadina modula essa via, reduzindo os movimentos involuntários.

Quais outras estratégias podem ser usadas para reduzir as discinesias por levodopa?

Além da amantadina, outras estratégias incluem ajustar a dose e a frequência da levodopa (doses menores e mais frequentes), adicionar inibidores da COMT (como entacapona) para prolongar o efeito da levodopa, ou, em casos refratários, considerar terapias cirúrgicas como a estimulação cerebral profunda (DBS).

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