UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente feminina, de 64 anos, com diagnóstico de transtorno de humor bipolar de longa data, veio à consulta por quadro de movimentos coreiformes e distônicos, envolvendo principalmente a face e a língua. Atualmente faz uso de olanzapina (10 mg/dia). Diante do diagnóstico de discinesia tardia, assinale a assertiva correta.
Discinesia tardia por antipsicótico: evitar suspensão abrupta para não piorar sintomas.
A discinesia tardia é um efeito adverso grave de longo prazo do uso de antipsicóticos, caracterizada por movimentos involuntários. A suspensão abrupta do fármaco pode exacerbar os sintomas devido a uma hipersensibilidade dopaminérgica de rebote, sendo recomendada a redução gradual ou a troca por um antipsicótico com menor risco.
A discinesia tardia é um transtorno de movimento hipercinético e involuntário, caracterizado por movimentos repetitivos e estereotipados, frequentemente envolvendo a face, boca, língua e membros. É uma complicação potencialmente irreversível do uso crônico de antipsicóticos, tanto de primeira quanto de segunda geração, embora o risco seja menor com os atípicos. É crucial para residentes reconhecer e manejar essa condição. A fisiopatologia envolve a hipersensibilidade dos receptores dopaminérgicos D2 no sistema nervoso central, resultante do bloqueio crônico por antipsicóticos. Os movimentos coreiformes e distônicos são típicos, e o diagnóstico é clínico, baseado na história de uso de antipsicóticos e na observação dos movimentos. A olanzapina, um antipsicótico atípico, ainda apresenta risco, embora menor que os típicos. O manejo da discinesia tardia é desafiador. A suspensão abrupta do antipsicótico implicado deve ser evitada, pois pode paradoxalmente piorar os sintomas devido à hipersensibilidade de rebote. A redução gradual da dose ou a troca por um antipsicótico com menor potencial de discinesia (como a clozapina) são abordagens. Recentemente, inibidores do transportador vesicular de monoaminas tipo 2 (VMAT2), como valbenazina e deutetrabenazina, surgiram como opções terapêuticas eficazes para controlar os movimentos.
Fatores de risco incluem idade avançada, sexo feminino, uso prolongado de antipsicóticos (especialmente os de primeira geração), doses elevadas, e presença de transtornos de humor.
A suspensão abrupta pode levar a uma hipersensibilidade de rebote dos receptores dopaminérgicos, exacerbando os movimentos discinéticos que já estavam sendo mascarados ou parcialmente controlados pelo medicamento.
O tratamento inclui a redução gradual ou troca do antipsicótico por um com menor risco (ex: clozapina), e o uso de medicamentos como valbenazina ou deutetrabenazina, que são inibidores do transportador vesicular de monoaminas tipo 2 (VMAT2).
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