UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020
Criança vem à consulta acompanhada de sua mãe, com história de episódios de chiado. Nos últimos 12 meses, apresentou 5 episódios de “chio no peito,” com dificuldade para respirar, e a mãe acha que a criança apresentou melhora depois de um dia de tratamento com broncodilatador. Entre os episódios de chiado, a criança fica bem, porém apresenta tosse quase diária, às vezes associada a vômitos, mas com pouca interferência nas atividades como brincar e dormir. Além disso, a mãe relata que a criança tem o nariz congestionado desde o nascimento e teve asma até os 4 anos de idade. A criança nasceu a termo, pesou 3.300 gramas e apresentou desconforto respiratório no período neonatal, necessitando de internação em UTI Neonatal, sem necessidade de internação em outras ocasiões. Ao exame físico: peso = 14 kg; estatura = 86 cm; frequência respiratória = 40 ipm; frequência cardíaca = 108 bpm; Sat.O₂ = 98%. Chama atenção a presença de deformidade do tórax; observou-se tiragem intercostal e supraclavicular, sem estertores, sibilos expiratórios e baqueteamento digital. Levando em consideração os dados apresentados, é correto afirmar:
Criança com infecções respiratórias recorrentes, rinite crônica, desconforto neonatal e baqueteamento digital → Suspeitar de Discinesia Ciliar Primária.
A discinesia ciliar primária (DCP) é uma doença genética rara que afeta a função ciliar, levando a acúmulo de muco e infecções respiratórias crônicas. O histórico de desconforto respiratório neonatal, rinite crônica, infecções recorrentes e baqueteamento digital são sinais de alerta para essa condição, que exige investigação complementar.
A discinesia ciliar primária (DCP), também conhecida como síndrome dos cílios imóveis, é uma doença genética autossômica recessiva rara que afeta a estrutura e/ou função dos cílios, essenciais para a depuração mucociliar. Sua importância reside no fato de que o diagnóstico precoce e o manejo adequado podem prevenir danos pulmonares irreversíveis, como bronquiectasias, e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A prevalência é estimada em 1:10.000 a 1:20.000 nascidos vivos. A fisiopatologia da DCP resulta na incapacidade dos cílios de moverem o muco e partículas para fora das vias aéreas, levando a infecções respiratórias crônicas e progressivas. Clinicamente, manifesta-se por desconforto respiratório neonatal inexplicado, rinite crônica desde o nascimento, otites médias recorrentes, sinusites crônicas e tosse crônica produtiva. O baqueteamento digital é um sinal comum de doença pulmonar crônica. O diagnóstico é complexo e requer uma combinação de histórico clínico, testes de triagem (óxido nítrico nasal), biópsia ciliar e, cada vez mais, testes genéticos. O tratamento da DCP é de suporte e visa controlar as infecções e otimizar a depuração mucociliar. Inclui fisioterapia respiratória, antibióticos para exacerbações e vacinação. Não há cura, mas o manejo multidisciplinar pode retardar a progressão da doença pulmonar. O prognóstico varia, mas a doença pode levar a insuficiência respiratória e necessidade de transplante pulmonar em casos avançados.
Sinais incluem desconforto respiratório neonatal inexplicado, rinite crônica desde o nascimento, infecções respiratórias recorrentes (otites, sinusites, bronquites), tosse crônica úmida e baqueteamento digital.
O baqueteamento digital, mesmo com oximetria normal, indica hipóxia crônica ou doença pulmonar crônica subjacente, sendo um sinal importante de alerta para condições como bronquiectasias, frequentemente associadas à DCP.
A confirmação diagnóstica envolve testes como a medida da óxido nítrico nasal (reduzida), biópsia de cílios com microscopia eletrônica para avaliar a ultraestrutura ciliar, e testes genéticos para identificar mutações causadoras.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo