Cuidados Paliativos: Manejo da Dispneia e Diretivas de Vontade

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 68 anos em quimioterapia paliativa para câncer gástrico avançado é internado devido à queda do estado geral e dispneia. Ao ser atendido, apresenta Saturação de O2 de 86%, sendo prescrita oxigenioterapia. A tomografia computadorizada de tórax evidencia padrão sugestivo de extensa linfangite carcinomatosa bilateral e pequeno derrame pleural à esquerda. Apesar do registro em prontuário da “diretiva antecipada de vontade” de não ser submetido a procedimentos invasivos, um de seus filhos insiste que o paciente seja submetido à ventilação mecânica invasiva. Nesse caso, a conduta adequada diante da piora respiratória do paciente é

Alternativas

  1. A) realizar a intubação orotraqueal.
  2. B) prescrever morfina por via parenteral.
  3. C) realizar toracocentese terapêutica à esquerda.
  4. D) instituir ventilação não invasiva seguida de intubação orotraqueal.

Pérola Clínica

Diretiva antecipada de vontade + piora respiratória em paciente paliativo → Foco em conforto, morfina para dispneia.

Resumo-Chave

Em pacientes com diretivas antecipadas de vontade que recusam procedimentos invasivos, a prioridade é o controle de sintomas e o conforto. A morfina é eficaz no alívio da dispneia em pacientes em cuidados paliativos, mesmo na ausência de dor, atuando na percepção central da falta de ar.

Contexto Educacional

Este caso ilustra um dilema ético comum em cuidados paliativos, onde a autonomia do paciente, expressa através de diretivas antecipadas de vontade, entra em conflito com o desejo da família. As diretivas antecipadas de vontade são instrumentos legais e éticos que permitem ao paciente decidir sobre tratamentos futuros, garantindo que suas preferências sejam respeitadas mesmo quando incapaz de se comunicar. A linfangite carcinomatosa é uma causa de dispneia progressiva e refratária em pacientes com câncer avançado. Nesses casos, o objetivo principal do tratamento é o controle de sintomas e a promoção do conforto. A morfina é a medicação de escolha para o manejo da dispneia em pacientes paliativos, mesmo na ausência de dor, pois atua nos receptores opioides centrais, modulando a percepção da falta de ar e reduzindo a ansiedade. Apesar da insistência familiar, a equipe médica tem o dever ético de respeitar a vontade do paciente. A intubação orotraqueal e a ventilação mecânica invasiva seriam procedimentos invasivos que o paciente expressamente recusou. O foco deve ser em medidas de conforto, como a oxigenioterapia e a analgesia/sedação com morfina, para aliviar o sofrimento respiratório, proporcionando uma morte digna.

Perguntas Frequentes

O que são diretivas antecipadas de vontade e qual sua importância?

As diretivas antecipadas de vontade são documentos legais onde o paciente expressa suas preferências sobre tratamentos médicos futuros, caso não possa mais se comunicar. Elas garantem a autonomia do paciente e guiam as decisões da equipe médica.

Como a morfina atua no alívio da dispneia em pacientes paliativos?

A morfina atua no sistema nervoso central, diminuindo a percepção da dispneia e a ansiedade associada à falta de ar, além de reduzir o trabalho respiratório. É uma medicação de primeira linha para o controle da dispneia refratária em cuidados paliativos.

Qual a abordagem quando há conflito entre a vontade do paciente e a família?

A vontade do paciente, expressa em diretivas antecipadas, deve prevalecer. A equipe médica deve dialogar com a família, explicando a decisão do paciente e os princípios éticos e legais que a sustentam, focando no conforto e dignidade do paciente.

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