CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021
R., sexo feminino, 15 anos, compareceu sozinha à consulta médica na UBS Vale. Durante a consulta, R. demonstrou dúvidas e fez questionamentos a respeito de métodos contraceptivos, uma vez que começou a vida sexual há 11 meses; contou que há um mês teve abortamento espontâneo quando estava grávida de 9 semanas.Em relação a este caso, qual a alternativa CORRETA?
Adolescente busca contracepção → priorizar prevenção de ISTs e autonomia, mesmo após aborto. Não precisa de responsável legal.
Adolescentes têm direito à confidencialidade e ao acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo contracepção e prevenção de ISTs, sem a necessidade de consentimento dos pais ou responsáveis legais. A prevenção de ISTs é fundamental em qualquer consulta de contracepção para jovens sexualmente ativos.
A consulta de saúde sexual e reprodutiva para adolescentes exige uma abordagem acolhedora, confidencial e respeitosa da autonomia. No Brasil, a legislação e as normas éticas garantem que adolescentes possam acessar serviços de saúde, incluindo contracepção e prevenção de ISTs, sem a necessidade de autorização dos pais ou responsáveis. É fundamental que o profissional de saúde estabeleça um vínculo de confiança. Neste caso, a adolescente R. tem o direito de ser atendida e aconselhada sobre contracepção de forma confidencial. A história de abortamento espontâneo recente não contraindica a maioria dos métodos contraceptivos, e a escolha deve ser feita em conjunto com a paciente, considerando suas preferências e riscos. A contracepção oral combinada, por exemplo, pode ser iniciada logo após um aborto de primeiro trimestre. Um ponto crítico e muitas vezes negligenciado é a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Independentemente do método contraceptivo escolhido, o uso consistente de preservativos é a única forma de prevenir a maioria das ISTs. Portanto, o aconselhamento sobre sexo seguro, testagem para ISTs e vacinação (HPV) deve ser uma prioridade em todas as consultas de contracepção para adolescentes, visando a saúde integral.
Sim, no Brasil, adolescentes têm autonomia para buscar e receber informações e métodos contraceptivos sem a necessidade de consentimento dos pais ou responsáveis legais, garantindo o direito à confidencialidade e à saúde sexual e reprodutiva.
A prevenção de ISTs é crucial, pois nenhum método contraceptivo (exceto o preservativo) protege contra infecções. Adolescentes são um grupo de risco elevado para ISTs, e a educação sobre sexo seguro e uso de preservativos deve ser parte integrante do aconselhamento.
Geralmente não. Após um abortamento espontâneo de primeiro trimestre, a contracepção oral combinada pode ser iniciada imediatamente ou nos primeiros 7 dias, a menos que existam contraindicações específicas não relacionadas ao aborto em si. A avaliação individual é sempre necessária.
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