Prontuário Médico: Direitos do Paciente e Acesso à Cópia

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Pedro, de 36 anos de idade, faz seguimento na unidade básica de saúde há cerca de seis meses e está em tratamento para depressão maior com fluoxetina 60 mg, em remissão há cerca de dois meses. Ele não possui outras comorbidades e, apesar de não ter uma consulta agendada, veio solicitar o prontuário para levar para a nova unidade de referência. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.

Alternativas

  1. A) orientar que o prontuário é um documento do estabelecimento de saúde e que só pode fazer um relatório sobre os principais dados ali contidos
  2. B) orientar que pode solicitar, na administração, a transferência do prontuário original para a nova unidade de referência 
  3. C) orientar que não pode deixar que o prontuário seja retirado do estabelecimento, mas que irá providenciar uma cópia 
  4. D) orientar que não pode fornecer cópia ou relatório do prontuário, pois Pedro é um paciente da saúde mental 
  5. E) orientar que a cópia do prontuário ou do relatório apenas poderá ser fornecida após o pedido do médico do outro serviço 

Pérola Clínica

Prontuário é do serviço, mas paciente tem direito à cópia integral, independente de condição de saúde mental.

Resumo-Chave

O prontuário médico é um documento legal e pertence ao estabelecimento de saúde. Contudo, o paciente tem o direito inalienável de acesso e de obter uma cópia integral de seu prontuário, sem necessidade de justificativa ou intermediação de outro profissional, mesmo em casos de saúde mental.

Contexto Educacional

O prontuário médico é um documento fundamental na prática clínica, registrando toda a trajetória do paciente no serviço de saúde. Ele serve como ferramenta de comunicação entre profissionais, fonte de dados para pesquisa e ensino, e prova legal em caso de litígios. A legislação brasileira, incluindo o Código de Ética Médica e resoluções do CFM, garante ao paciente o direito de acesso e de obter cópia integral de seu prontuário, reforçando a transparência e a autonomia do indivíduo sobre suas informações de saúde. É crucial que os profissionais de saúde compreendam que, embora o prontuário físico seja propriedade da instituição, as informações nele contidas pertencem ao paciente. A recusa em fornecer uma cópia ou a imposição de barreiras desnecessárias para o acesso constitui uma infração ética e legal. A cópia deve ser fornecida de forma legível e completa, sem a necessidade de justificativas por parte do paciente ou de intermediação de outro médico. No contexto da saúde mental, a garantia desses direitos é ainda mais relevante, visando combater estigmas e assegurar que pacientes com transtornos mentais tenham o mesmo tratamento digno e respeitoso que qualquer outro. A conduta adequada é sempre orientar o paciente sobre seu direito à cópia e providenciá-la prontamente, mantendo o prontuário original no serviço.

Perguntas Frequentes

Quem é o proprietário legal do prontuário médico?

O prontuário médico é um documento legal e pertence ao estabelecimento de saúde onde o atendimento foi realizado. Ele deve ser mantido sob guarda da instituição, garantindo a integridade e o sigilo das informações.

O paciente tem direito a uma cópia do prontuário?

Sim, o paciente tem o direito irrestrito de solicitar e receber uma cópia integral de seu prontuário médico. Este direito é assegurado por diversas normativas éticas e legais, independentemente da condição de saúde do paciente.

A condição de saúde mental do paciente afeta seu direito ao prontuário?

Não, a condição de saúde mental do paciente não restringe seu direito de acesso ou de obter uma cópia do prontuário. O sigilo e a confidencialidade devem ser mantidos, mas o paciente plenamente capaz tem autonomia para solicitar seus documentos.

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