CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
Em casos de diplopia, para iniciar o raciocínio clínico deve-se determinar:
Diplopia persiste com 1 olho fechado? → Monocular (Causa Ocular). Desaparece? → Binocular (Causa Neurológica/Estrabismo).
O primeiro passo na diplopia é diferenciar se ela é monocular ou binocular através do teste de oclusão, pois as etiologias e a urgência diagnóstica são completamente distintas.
A diplopia é um sintoma que gera grande ansiedade e pode sinalizar patologias graves, como aneurismas ou tumores intracranianos. O raciocínio clínico deve ser sistemático. Após definir se é binocular, o médico deve avaliar se a separação das imagens é horizontal, vertical ou oblíqua, e se piora em alguma posição do olhar ou para longe/perto. Diplopias binoculares de início súbito em pacientes idosos com fatores de risco cardiovascular sugerem mononeuropatias isquêmicas, enquanto em jovens podem sugerir doenças desmielinizantes ou miastenia. Já a diplopia monocular deve sempre levar a um exame minucioso da córnea, cristalino e retina.
A diplopia monocular persiste mesmo quando o olho contralateral é ocluído; ela geralmente indica uma alteração estrutural no próprio olho (como catarata, astigmatismo irregular ou ceratocone). A diplopia binocular desaparece ao ocluir qualquer um dos olhos, indicando um desalinhamento dos eixos visuais (estrabismo), frequentemente por causas neurológicas ou musculares.
As causas incluem paralisias de nervos cranianos (III, IV ou VI pares), frequentemente associadas a diabetes ou hipertensão, miastenia gravis, oftalmopatia de Graves e traumas orbitários com aprisionamento muscular.
É o teste mais simples e informativo. Se o paciente relata que a visão dupla some ao fechar um olho, confirmamos que o problema é a falta de fusão das imagens dos dois olhos (binocular). Se a visão dupla continua em um olho mesmo com o outro fechado, o problema é puramente óptico daquele globo ocular.
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